Austrália apoiou a CIA no Chile de Allende, indicam registros de Inteligência

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A linguista mapuche Elisa Loncón (C) é eleita presidente da Convenção Constituinte encarregada da nova Constituição do Chile, em Santiago em 4 de julho de 2021 (AFP/JAVIER TORRES)
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A Austrália realizou operações de espionagem no Chile na década de 1970 para apoiar a intervenção dos Estados Unidos naquele país sul-americano durante o governo socialista de Salvador Allende, derrubado há 48 anos, segundo documentos de Inteligência revelados nesta sexta-feira (10).

O Serviço Secreto de Inteligência da Austrália (Asis) instalou uma "estação" em Santiago de 1971 a 1973 a pedido da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), de acordo com registros australianos divulgados pelo National Security Archive (NSA), um centro de pesquisa com sede em Washington.

"Cinquenta anos depois, segue sendo conhecida a história oculta de esforços concertados e encobertos pelos Estados Unidos e outros representantes para desestabilizar o governo chileno democraticamente eleito de Salvador Allende", disse o historiador da NSA Peter Kornbluh à AFP.

“O veredicto da história para países como Austrália e Brasil, que também intervieram no Chile, depende desse passado sombrio ser totalmente compreendido”, disse.

Allende, eleito presidente do Chile pela coalizão de partidos de esquerda da Unidade Popular em 1970, foi derrubado em 11 de setembro de 1973 por um golpe liderado pelo general Augusto Pinochet. Derrotado, o presidente cometeu suicídio no palácio presidencial de La Moneda.

Três anos antes, a CIA havia solicitado assistência da Asis para realizar operações secretas no Chile.

Segundo memorandos e relatórios citados pela NSA, em dezembro de 1970, o chanceler australiano, William McMahon, autorizou a abertura de uma célula secreta na capital chilena, cujas equipes e agentes chegaram em meados de 1971.

As operações, que envolveram o recrutamento de ativos chilenos e o envio de relatórios de inteligência diretamente à sede da CIA em Langley, Virgínia, duraram 18 meses.

No início de 1973, o novo primeiro-ministro australiano, Gough Whitlam, ordenou ao diretor da Asis que encerrasse a operação no Chile, "preocupado" com a possibilidade de ser tornada pública uma participação australiana "extremamente difícil" de justificar, segundo os autos liberado.

A célula de espionagem australiana foi aparentemente fechada em julho de 1973, embora um agente da Asis tenha permanecido em Santiago até depois do golpe militar.

- "Destruir a democracia chilena" -

O governo australiano forneceu, em junho, arquivos relacionados com a abertura, gestão e encerramento da estação Asis a Clinton Fernandes, ex-analista de inteligência do Exército australiano e professor de estudos internacionais na Universidade de New South Wales em Canberra, que invocou a liberdade de informação.

No entanto, o material estava "fortemente censurado" e com "poucas revelações de operações secretas reais, coleta de inteligência ou ligação com a CIA no Chile", observa a NSA em seu site.

A maioria dos cabos, memorandos e relatórios são sobre "aspectos práticos", acrescenta.

Ainda assim, os documentos divulgados confirmam que detalhes das operações secretas da Austrália no Chile vazaram para a imprensa ou foram admitidos por políticos ao longo dos anos.

Fernandes busca agora uma nova suspensão do sigilo do registro histórico das operações australianas, com os documentos publicados novamente, mas sem censura.

"O governo australiano insiste no sigilo para evitar admitir à opinião pública australiana que ajudou a destruir a democracia chilena", disse Fernandes à agência de notícias NSA.

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