Eurodeputados pedem a governos da UE que boicotem Copa do Mundo da Rússia

Berlim, 20 abr (EFE).- Sessenta eurodeputados de diversos países pediram aos Governos da UE, em carta aberta, que não participem da Copa do Mundo da Rússia, por considerar que suas presenças fortaleceria "o caminho autoritário e anti-ocidental" de seu presidente, Vladimir Putin.

Os deputados, de diferentes grupos parlamentares, pediram para se juntar ao Reino Unido, que após o envenenamento do ex-espião Sergei Skripal disse que não haverá representação britânica por parte da realeza nem dignitários no Mundial, e o governo da Islândia, que também não enviará representantes para a competição.

De acordo com a publicação desta sexta-feira do jornal "Bild", os europarlamentares estão empenhados em "levantar a voz em favor da proteção dos direitos humanos, dos valores democráticos e da paz".

Segundo sua opinião, o ataque contra Skripal em Salisbury é apenas o "último episódio na contínua zombaria" dos valores europeus de Putin.

"Bombardeios indiscriminados a escolas, hospitais e áreas civis na Síria, invasão militar da Ucrânia pela força, pirataria sistemática, campanhas de desinformação, interferência em eleições, tentativas de desestabilizar a nossa sociedade e debilitar e dividir à UE... Tudo isto transforma a Rússia em um anfitrião pouco apropriado para o Mundial", denunciam.

Os eurodeputados, de 15 de países, acreditam que o esporte pode contribuir para suspender "pontes metafóricas", mas ressaltaram que enquanto Putin siga destruindo "pontes reais na Síria" não se pode pretender que o Mundial da Rússia seja um evento esportivo.

"Enquanto Putin seguir ocupando a Crimeia ilegalmente, mantendo presos políticos na Ucrânia e apoiando a guerra no leste da Ucrânia, não podemos fingir que o anfitrião deste torneio é um amável vizinho", advertem os parlamentares, que denunciaram "ameaças" a opositores e jornalistas.

Eles recordam, três dias depois dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, em 2014, Putin invadiu a Ucrânia, por isso desta vez é preciso parar de incentivar "suas graves violações aos direitos humanos". EFE