Austrália reavalia ameaça de prisão contra viajantes procedentes da Índia após acusações de racismo

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(Arquivo) O premier da Austrália, Scott Morrison

O premier da Austrália se defendeu nesta terça-feira das acusações de racismo e de ter sangue nas mãos, após reavaliar a ameaça de prender os australianos que tentam deixar a Índia, fortemente atingida pela pandemia.

O governo de Scott Morrison havia anunciado a proibição de entrada na Austrália, até o próximo dia 15, de viajantes procedentes da Índia, e ameaçado os infratores de prisão, inclusive cidadãos australianos. O premier, no entanto, declarou nesta terça-feira ser "muito improvável" que os australianos que desrespeitarem a proibição terminem presos.

Cerca de 9 mil australianos se encontram na Índia, que registra recordes de infectados e mortos pela Covid-19. Entre os cidadãos bloqueados no país asiático estão personalidades do esporte, como jogadores de críquete que atuam na lucrativa liga indiana.

O comentarista e ex-astro do críquete Michael Slater chamou a decisão de Morrison de "vergonhosa". "Sangue em suas mãos, primeiro-ministro. Como ousa nos tratar assim? Se nosso governo se importasse com a segurança dos australianos, deixaria que voltássemos para casa", tuitou.

Morrison classificou de "absurdo" o comentário de que tem sangue nas mãos. "Houve muitas decisões difíceis durante a pandemia, e as pessoas criticam a mim e o meu governo por isso. Não vou falhar com a Austrália. Irei proteger a fronteira nestes tempos", afirmou ao canal de TV Nine.

A proibição entrou em vigor hoje e foi denunciada por grupos de direitos humanos e alguns dos principais aliados de Morrison, como o comentarista do canal Sky News Andrew Bolt, segundo o qual a mesma "fede a racismo".

A Austrália conseguiu reduzir o impacto da pandemia graças à imposição de um dos controles fronteiriços mais rígidos do mundo. Os não residentes praticamente estão proibidos de entrar no país, e os que chegam devem cumprir uma quarentena de 14 dias em um hotel.

O premier, conservador, busca a reeleição no ano que vem e espera que a gestão da Covid-19 lhe permita obter uma nova vitória. Mas a proibição de entrada dos viajantes procedentes da Índia e a campanha de vacinação lenta geraram críticas. Até agora, foram aplicadas 2,2 milhões de doses, em uma população de 25 milhões de habitantes.

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