Austrália recebe viajantes não vacinados e mesmo quem se vacinou pode transmitir o SARS-CoV-2

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Publicações compartilhadas centenas de vezes desde, pelo menos, 29 de novembro de 2021 questionam como a variante ômicron do SARS-CoV-2 chegou à Austrália se “os não vacinados não podem sair nem entrar”, apontando uma suposta ineficácia das vacinas contra covid-19. Mas a afirmação é enganosa, não apenas porque os passageiros não vacinados podem sair e ingressar no país, sob certas condições, mas também porque, apesar de os fármacos anticovid reduzirem as possibilidades de casos graves e mortes, as pessoas vacinadas podem ser infectadas e transmitir o vírus, mas em menor medida, segundo estudos e especialistas consultados.

“Como a variante Omicron chegou à Austrália, se os não vacinados não podem sair nem entrar?”, questionam usuários no Facebook (1, 2, 3), no Twitter (1, 2, 3) e no Telegram.

Conteúdo semelhante circulou também em inglês e espanhol.

Captura de tela feita em 25 de dezembro de 2021 de uma publicação no Facebook ( . / )

As publicações começaram a circular pouco depois de o estado australiano de Nova Gales do Sul confirmar que duas pessoas completamente vacinadas que viajaram à cidade de Sydney, procedentes do sul da África, estavam infectadas com a variante ômicron.

A variante do vírus SARS-CoV-2, detectada pela primeira vez por pesquisadores sul-africanos em novembro de 2021, provocou preocupação mundial por sua rápida propagação.

No dia 3 de dezembro, a Austrália informou que três estudantes sem antecedentes de viagens ao exterior também testaram positivo para a ômicron, sendo, portanto, os primeiros casos detectados de transmissão comunitária no país.

Uma busca pelo texto em diferentes idiomas mostrou que o tuíte original foi publicado em inglês em 28 de novembro e foi compartilhado mais de 23.000 vezes até a publicação desta verificação. No entanto, suas alegações são enganosas.

Restrições fronteiriças

Os viajantes não vacinados podem sair ou ingressar na Austrália sob certas limitações, segundo o Departamento de Saúde da Austrália.

As regras atuais estabelecem que os viajantes não vacinados devem cumprir medidas mais restritas do que aqueles que foram vacinados, ou poderiam enfrentar sanções. “Isso inclui a obtenção de autorização para viajar, viajar dentro do limite de passageiros internacionais e cumprir uma quarentena obrigatória e controlada de 14 dias”, diz a página da entidade.

As exceções para que pessoas não vacinadas possam viajar incluem a necessidade de atendimento médico urgente, trabalho e motivos de força maior ou humanitários.

As regras estabelecem que os viajantes não vacinados devem permanecer em quarentena durante 14 dias em uma instalação administrada pelo governo, enquanto os viajantes vacinados podem fazê-lo em casa.

Transmissão do vírus

Os especialistas advertiram reiteradas vezes que, ainda que as vacinas contra a covid-19 reduzam o risco de casos graves e mortes pelo SARS-CoV-2, as pessoas vacinadas ainda podem ser transmissoras.

Os vacinados “podem ter tanto vírus no nariz e na garganta como as pessoas que não foram vacinadas, mas parecem tê-lo durante menos tempo, por isso têm menos tempo para transmitir [o vírus], disse à AFP a professora Nancy Baxter, diretora da Escola de População e Saúde Global de Melbourne, na Austrália.

A especialista comentou que ainda não está claro como as vacinas responderão à variante ômicron: “Cada nova variante importante da covid-19 parece escapar um pouco mais da vacina”, disse. “Como não são tão efetivas para prevenir que as pessoas adoeçam, ainda pode haver transmissão”, acrescentou.

Os Centros para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos também informam em seu site:

“As pessoas vacinadas ainda podem se infectar e ter o potencial de transmitir o vírus a outras pessoas, ainda que a taxas muito mais baixas do que pessoas não vacinadas”.

Em 24 de novembro, o diretor geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que as pessoas vacinadas ainda podem transmitir o vírus: “Se você está vacinado, tem um risco muito menor de contrair uma forma grave da enfermidade e de morrer, mas ainda corre o risco de se infectar e infectar a outros”, assegurou.

O Checamos já verificou outras alegações sobre a variante ômicron (1, 2, 3).

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