Por que o softbol da Austrália foi a primeira delegação a chegar em Tóquio

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Members of Australia's Olympic softball team, the first national team to come to Japan for pre-Olympic training camp since the Tokyo 2020 Olympic Games were postponed to 2021 due to COVID-19, arrive at Narita international airport in Narita, east of Tokyo, on June 1, 2021. (Photo by ISSEI KATO / POOL / AFP) (Photo by ISSEI KATO/POOL/AFP via Getty Images)
Jogadores de softbol da Austrália chegam ao Aeroporto de Narita, no Japão, no dia 1º de junho de 2021 (ISSEI KATO/POOL/AFP via Getty Images)

Por Hannah Keyser, do Yahoo Sports

O que você levaria para uma viagem internacional de dois meses que terminaria com a realização dos seus sonhos esportivos?

“Trouxe bastante comida, coisas que gosto da Austrália, caso eu não me adapte muito bem à culinária daqui”, afirmou Tamieka Whitefield, uma jovem de 22 anos convocada para a seleção olímpica australiana de softbol. “Além disso, como não estamos saindo, trouxe algumas calças de moletom, macacões e calças legging.”

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Whitefield é um dos 32 membros da delegação australiana — entre jogadores e pessoal de apoio — que está no Japão mais de um mês antes do início dos Jogos de Tóquio para participar da competição após um ano paralisado em um país com algumas das maiores restrições a viagens internacionais.

Ela conversou com o Yahoo Esportes em um pequeno quarto de hotel na cidade de Ōta, onde ela e a equipe passarão seis semanas restritas a três andares e o campo onde treinarão até poderem se transferir para a Vila Olímpica, no dia 17 de julho. Cada atleta tem um quarto individual e todos compartilham a academia, a sala de jantar e a sala de reuniões. Para o lazer, tem uma mesa de pingue-pongue e um Nintendo Switch que um membro da comissão trouxe.]

“Mario Kart é a febre do pessoal agora”, conta Whitefield.

Atletas olímpicos em lockdown

A equipe de softbol da Austrália, chamada de Aussie Spirit (Espírito Australiano, em tradução livre), se classificou para o que deveriam ser as Olimpíadas de Verão de 2020 em um torneio na China, que ocorreu em setembro de 2019, poucos meses antes do início da pandemia de coronavírus, que colocou o esporte mundial em banho-maria. Whitefield jogava na Nova Zelândia quando a Austrália fechou as fronteiras, em 20 de março de 2020. Ela voltou para casa e, durante a quarentena de duas semanas, as Olimpíadas foram oficialmente adiadas por um ano.

“Quando a situação começou a ficar bem complicada na Austrália, o país se isolou totalmente,” afirma ela. “Todos os estados foram completamente fechados.”

O lockdown funcionou e os casos no país despencaram. Em Queensland, sua terra natal, as restrições foram relaxadas, exceto por lockdowns ocasionais que duraram alguns dias para controlar os surtos (no pior momento da pandemia, a Austrália registrava cerca de 700 novos casos de coronavírus por dia. Somente no estado de Nova York, que tem alguns milhões de habitantes a menos, houve 20.000 novos casos por dia em janeiro de 2021). Mas viajar era difícil, e a equipe não conseguiu se encontrar durante o ano todo. Para contornar esse problema, todos recorreram ao Zoom, reunindo-se virtualmente com membros da seleção olímpica de 2000 e buscando treinar o aspecto mental do esporte.

Com a nova data das Olimpíadas se aproximando, a equipe ainda não havia feito um jogo válido contra outra equipe internacional desde a Copa Ásia-Pacífico, em janeiro de 2020.

“Fizemos alguns treinos e jogamos entre nós. Provavelmente fizemos tudo o que podíamos na Austrália", conta Whitefield. "Estamos aqui para tentar ganhar ritmo de competição e jogar algumas partidas.”

Preparação para um longo período no Japão

A equipe, que já está totalmente vacinada, fez testes de COVID-19 antes da viagem ao país. Três voos da Austrália fizeram escala em Singapura e partiram juntos para Tóquio. Lá, todos os membros da comissão foram testados novamente e recepcionados por uma multidão de jornalistas.

“Assim que saímos do avião, vimos câmeras em todo lugar e uma multidão”, relembra Whitefield. “Antes mesmo de passarmos pela aduana, estava todo mundo lá, literalmente assim que saímos do avião.”

As Olimpíadas não são um evento muito popular no Japão, onde menos de 3% da população está totalmente vacinada e o número de casos disparou novamente em maio. De 50% a 80% das pessoas entrevistadas são contra a realização das Olimpíadas, que vai acontecer principalmente pela insistência do COI.

Na preparação para a pandemia, o Aussie Spirit, equipe acostumada a jogar partidas de softbol com pouquíssimo público (ou nenhum), planejava treinar sob o som de aplausos vindos de caixas de som para se preparar para uma participação supostamente com ingressos esgotados nos Jogos de Tóquio. Hoje, não é permitida a presença de público internacional nem familiares, e o Japão está a algumas semanas de aplicar novas regras para o público local. Por isso, nos últimos meses de treino na Austrália, o Aussie Spirit tentou algo diferente: jogos-treino sem qualquer som de público, caso essa seja a realidade por conta da COVID-19.

“Foi muito estranho”, afirma Whitefield.

Quando Whitefield conversou com o Yahoo Esportes, a equipe estava em Ōta há apenas 48 horas, ainda em quarentena, e não havia ido ao local em que treinariam até a estreia nos Jogos Olímpicos contra o anfitrião Japão, o que aconteceu no último final de semana, mas ainda sob limitações extremamente rígidas, indo apenas do hotel para o campo e vice-versa e usando máscaras sempre que saírem do quarto.

“Não está tão ruim, por enquanto”, avalia Whitefield. “A empolgação de finalmente estarmos aqui, no momento, é muito grande.”

Ela ainda tem muitos programas de TV para assistir, o que ajuda a passar o tempo, e os lanchinhos australianos ainda não acabaram.

“Obviamente, como sou australiana, trouxe Vegemite, proteína, miojo, Weet-bix e chocolate. Chocolate Cadbury, é claro.”