Tibetano de 24 anos tenta atear fogo ao próprio corpo no oeste da China

Pequim, 20 mar (EFE).- Um jovem tibetano de 24 anos, identificado como Pema Gyaltsen, tentou atear fogo ao próprio corpo na província chinesa de Sichuan, na região povoada por esta minoria no oeste do país, uma área onde mais de 140 pessoas já fizeram este tipo de protesto contra o governo da China desde 2009.

Segundo informou no domingo à noite um comunicado da ONG Free Tibet, Gyaltsen tentou imolar-se nas imediações do mosteiro Tsokha, na cidade de Nyarong, na tarde de sábado.

Após o ato de protesto, um forte dispositivo policial e outras forças de segurança chegaram ao local e levaram o jovem, cujo estado de saúde é desconhecido, embora algumas testemunhas garantam que Gyaltsen continua vivo.

As conexões à internet na área foram cortadas completamente após a tentativa de imolação, a primeira de que se têm notícia entre as comunidades tibetanas desde dezembro do ano passado, quando uma pessoa morreu após atear fogo ao próprio corpo.

Em março do ano passado, outro jovem, Kalsang Wangdu, de 18 anos, morreu ao atear fogo em si mesmo também às portas do mosteiro de Tsokha.

Este tipo de protesto costuma ser mais comum nos meses de março, aniversário das revoltas que em 1959 desembocaram na fuga para o exílio do Dalai Lama, líder religioso dos tibetanos, e também dos protestos de 2008 em Lhasa, capital regional tibetana, que deixaram pelo menos 20 mortos.

Alguns dos mortos em imolações nos últimos anos gritaram palavras de ordem pedindo liberdade no Tibete ou o retorno do Dalai Lama à região.

Estes protestos individuais, que aumentaram no início desta década, diminuíram nos últimos anos em consequência da pressão policial, que para freá-los realiza detenções não só dos que as protagonizam, mas também de seus familiares e conhecidos, segundo denunciou a Free Tibet.

Este e outros grupos tibetanos no exílio consideram que a China ocupa militarmente a região do Tibete desde 1959, reprimindo a religião e a cultura de seu povo.

Por sua parte, a China alega que o regime comunista "libertou" a região do governo "teocrático" do Dalai Lama, e para defender essa postura criou o chamado "Dia da Libertação do Tibete", que será celebrado no próximo dia 28 de março, uma data que também costuma ser acompanhada de protestos contra Pequim. EFE