Autor do tiroteio em Viena era simpatizante do EI e natural da Macedônia do Norte

Anne BEADE
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Policias mobilizados no centro de Viena após tiroteio perto de sinagoga em 2 de novembro de 2020

Autor do tiroteio em Viena era simpatizante do EI e natural da Macedônia do Norte

Policias mobilizados no centro de Viena após tiroteio perto de sinagoga em 2 de novembro de 2020

O autor dos tiroteios coordenados, que espalharam pânico em Viena na noite de segunda-feira (2) e provocaram pelo menos quatro mortes, era um simpatizante do grupo jihadista Estado Islâmico e natural da Macedônia do Norte, anunciaram as autoridades austríacas nesta terça-feira.

O "ataque terrorista", segundo as palavras do chanceler Sebastian Kurz, ocorreu em pleno centro da capital austríaca, perto de uma grande sinagoga e da Ópera.

Nesta terça-feira, uma grande parte do centro de Viena ainda estava isolada. Nos locais do crime, policiais científicos recuperavam evidências.

Os investigadores multiplicaram  as operações, com 18 buscas e 14 detenções, informou o ministro do Interior, Karl Nehammer, à agência de notícias austríaca APA.

De acordo com o ministro, o material audiovisual analisado pela polícia "não forneceu até agora provas de que houve um segundo agressor". Antes, ele afirmou que pelo menos outro suspeito estava foragido.

- Condenado em 2019 -

Os detalhes sobre o agressor começaram a ser revelados nesta terça-feira. Identificado como Kujtim Fejzulia, de 20 anos, era natural da Macedônia do Norte e também tinha nacionalidade austríaca, disse Nehammer à APA.

Foi condenado em 2019 a 22 meses de prisão por tentar viajar para a Síria para unir-se ao grupo Estado Islâmico (EI).

O governo austríaco indicou que o homem, armado com um rifle e um falso cinto de explosivos, era "simpatizante" do EI, segundo as evidências encontradas em sua residência.

A Áustria decretou três dias de luto nacional após o que o chanceler Sebastian Kurz chamou de "repugnante ataque terrorista".

O chefe de Governo, o presidente Alexander van der Bellen e outras autoridades participaram em uma cerimônia de homenagem às vítimas.

- "Banho de sangue" -

Os habitantes de Viena, ainda atordoados, se esqueceram até mesmo do novo confinamento que entrou em vigor nesta terça-feira para conter a pandemia de covid-19.

O rabino da comunidade judaica de Viena, Schlomo Hofmeister, disse estar "preocupado" se o ataque estava vinculado à sinagoga. "Nenhuma prova confirma isso, mas não podemos descartar", confessou à AFP. "O edifício estava fechado neste momento do dia e o bairro é o mais movimentado da cidade".

Da janela de seu apartamento, ele presenciou a cena. "O homem correu em direção aos clientes dos bares com sua arma", relatou. "O tempo estava bom e era véspera do confinamento, sem dúvida ele aproveitou a situação para provocar um banho de sangue", considerou.

Entre as quatro vítimas, há um homem e uma mulher idosos, um jovem pedestre e uma garçonete, disse o chanceler Kurz. Além disso, 15 pessoas estão internadas, sete delas em estado grave, segundo a associação de hospitais de Viena.

Policiais e soldados foram enviados para proteger prédios importantes da capital e as crianças não foram à escola nesta terça.

"Nunca nos deixaremos intimidar pelo terrorismo e combateremos esses ataques por todos os meios", afirmou Kurz no Twitter.

Os ataques aconteceram em meio a uma grande tensão na Europa.

Na França, três pessoas foram assassinadas na quinta-feira em um ataque com faca em uma basílica em Nice (sudeste) por um jovem tunisiano que havia acabado de chegar na Europa.

Alguns dias antes, o professor Samuel Paty foi decapitado nos arredores de Paris, após mostrar caricaturas do profeta Maomé durante uma aula sobre liberdade de expressão.

A Áustria permanecia até agora à margem dos atentados islâmicos que atingem a Europa nos últimos anos. 

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