Governo dos EUA se volta contra racismo a asiáticos após massacre em Atlanta

Cyril JULIEN
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O governo dos Estados Unidos expressou nesta sexta-feira (18) sua determinação para enfrentar o racismo aos membros de sua comunidade asiática, após um massacre a tiros em vários spas de massagem que deixou oito mortos em Atlanta e seus arredores na terça-feira.

A Casa Branca anunciou que o presidente Joe Biden e a vice-presidente Kamala Harris visitarão na sexta-feira essa cidade americana do estado da Geórgia, e se reunirão com líderes asiáticos-americanos para "discutir os contínuos ataques e ameaças à sua comunidade".

Robert Aaron Long, um homem branco de 21 anos, confessou ser o autor do massacre. Seis das oito pessoas mortas eram mulheres de origem asiática.

No entanto, este homem de Woodstock, na Geórgia - que enfrenta oito acusações de assassinato e uma de agressão grave nos tiroteios nos três spas de massagem - afirma que não foi motivado por ódio racial.

Embora o motivo dos crimes ainda não tenha sido elucidado, o tiroteio tocou em um tema sensível em um país onde aumentaram os crimes de ódio contra americanos de origem asiática.

"Para muitos asiático-americanos, os eventos chocantes de terça-feira pareceram o culminar inevitável em que se registraram quase 3.800 incidentes de violência odiosa contra asiáticos", ressaltou o legislador Steve Cohen, em uma audiência de um subcomitê da Câmara dos Representantes em Washington.

Os incidentes contra asiáticos tornaram-se "cada vez mais violentos à medida que a pandemia da covid-19 piorava", contou o democrata Cohen.

Esse aumento, disse, foi alimentado por referências ao "vírus da China", um termo frequentemente usado pelo ex-presidente republicano Donald Trump, embora Cohen não o tenha citado.

Long, que as autoridades afirmaram ser um frequentador dessas casas de massagem, tinha sua primeira audiência marcada para esta quinta-feira, mas foi cancelada.

- Prevalecem preconceitos a asiáticos -

Segundo a polícia, Long negou que seus crimes tivessem motivação racista e se apresentou como um "viciado em sexo", ansioso para acabar com "uma tentação".

Porém, a prefeita de Atlanta, Keisha Lance Bottoms, declarou que essas alegações devem ser vistas com cautela e que é "difícil ignorar" que a maioria das vítimas são de origem asiática.

Por sua vez, Sarah Park, presidente da coalizão coreana-americana Metro Atlanta, apontou que o racismo foi claramente um fator no crime. "Sim, é um crime de ódio contra os americanos de origem asiática", observou.

Entre os que testemunharam perante o painel da Câmara estavam quatro congressistas de ascendência asiática.

"Os asiático-americanos não devem ser usados como bodes expiatórios em tempos de crise - vidas estão em jogo", defendeu Judy Chu, democrata da Califórnia.

"É fundamental que o Congresso tome medidas ousadas para enfrentar esta pandemia de discriminação e ódio".

Cohen, presidente do subcomitê, disse que os asiático-americanos têm sido submetidos a "assédio verbal, cuspidas, tapas" e foram "queimados, esfaqueados ou violentamente jogados no chão".

Acrescentou que a pandemia do novo coronavírus, que ceifou a vida de mais de meio milhão de americanos, exacerbou "preconceitos anti-asiáticos latentes há anos" nos Estados Unidos.

O republicano de maior importância no painel, Chip Roy, do Texas, afirmou que as vítimas dos tiroteios de Atlanta merecem justiça, mas expressou preocupação com o direito de criticar os dirigentes chineses.

Essas declarações geraram indignação entre alguns legisladores.

- Os ataques 'devem cessar' -

Em todo o Estados Unidos, as vítimas receberam homenagens, momentos que foram ao mesmo tempo protestos contra o aumento dos ataques contra a comunidade asiática.

As polícias de Nova York, Seattle, Chicago, San Francisco e outras grandes cidades intensificaram o patrulhamento em áreas com grande população sino-americana.

Por sua vez, Biden ordenou que as bandeiras fossem hasteadas a meio mastro na Casa Branca e em outros edifícios públicos até o pôr do sol da próxima segunda-feira, em sinal de respeito às vítimas de Atlanta.

O presidente declarou que, embora o motivo ainda não tenha sido esclarecido, "o que sabemos é que a comunidade asiático-americana está sentindo uma dor enorme".

"Os recentes ataques à comunidade são antiamericanos", tuitou. "Eles devem cessar".

A Geórgia é o lar de quase 500.000 pessoas de origem asiática, ou seja, pouco mais de 4% de sua população, de acordo com o Asian American Advocacy Fund.

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