Autor de versão brasileira do jogo que conquistou a internet recebe até 'pedido de casamento' de fã: 'Não esperava que ia ficar tão famoso, hoje são mais de 200 mil pessoas jogando'

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No final do ano passado, o Wordle, um jogo online, de premissa simples, rapidamente conquistou milhões de seguidores e se transformou em febre mundial. Agora, os brasileiros estão se divertindo também com a versão brasileira do desafio estilo "caça-palavras": o Termo, uma criação de Fernando Serboncini, um engenheiro do Google que mora no Canadá.

— O movimento foi uma surpresa. Não esperava que ia ficar tão famoso, hoje são mais de 200 mil pessoas jogando por dia — celebra Serboncini.

O jogo funciona da seguinte forma: O jogador precisa desvendar qual a palavra do dia, sempre de cinco letras, em apenas seis tentativas. A tela só irá exibir quadrados em brancos, que precisam ser preenchidos com letras. Inicialmente, não há nenhuma dica, e a pessoa precisa dar seus palpites. A cada tentativa, o jogo avisa qual letra está colocada corretamente. E se a letra existir na palavra, mas estiver em outra posição, também haverá um aviso.

O Termo está disponível online, no navegador, sem necessidade de baixar aplicativo. A versão original, o Wordle, foi criada pelo engenheiro de software Josh Wardle, como um presente para sua namorada, fissurada em jogos de palavras. A brincadeira, então, começou de forma despretensiosa e um link foi enviado no grupo de whatsapp da família de Wardle, mas rapidamente se popularizou.

Em outubro do ano passado, o jogo foi tornado, de fato, público, e ganhou milhares de seguidores, principalmente no Twitter. Pessoas famosas, como Jimmy Fallon e artistas musicais começaram a compartilhar os seus resultados na rede social, o que acelerou a adesão de novos adeptos. Atualmente, há cerca de 2 milhões de jogadores diários.

O Termo foi lançado dia 5 de janeiro, e 10 dias depois ja possuía 100 mil jogadores diários. Hoje, Serboncini diz que já são 200 mil, e muitos deles lhe enviam mensagens pedindo que sejam liberados mais desafios por dia, além da única palavra. Mas, sua intenção é manter o Termo do jeito que ele é.

— É um jogo simples, pede cinco minutos do seu tempo, te diverte e te deixa ir. Isso torna a experiência mais relevante e acho que mais honesta. Além disso, cria um senso de comunidade, pois todos estão jogando o mesmo jogo todo dia — explicou o engenheiro, que acompanha os debates sobre vícios online e a "economia da atenção". — Existe uma cultura no mundo da tecnologia de que tudo tem que ocupar 100% do tempo das pessoas. Cada software de cada empresa é construído como se ocupasse uma posição central na vida dos usuários. Jogos são feitos para serem jogados por dezenas, às vezes até centenas de horas.

Na internet, é fácil encontrar relatos de pessoas que se apaixonaram pelo jogo. Há até aqueles que se declararam ao próprio Serboncini, que, no seu Twitter, revelou ser o criador do Termo.

Logo no primeiro dia de lançamento do Termo, a historiadora Bárbara Carneiro, de 31 anos, disse que estava "disposta a casar" com o criador da versão em português. Ela se apaixonou, primeiro, pelo Wordle, e confessou que não é difícil se viciar nesses tipos de jogos.

— Em poucos dias eu não só era entusiasta das duas versões como fui descobrindo em outros idiomas — conta ela, que agora joga também as versões em italiano, alemão e espanhol. — Acho interessante que tem algo de conhecimento de vocabulário mas que também é pura análise combinatória, né? Então eventualmente eu adivinho palavras em alemão ou italiano muito mais por combinação matemática do que por um vocabulário poliglota.

Ela conta que herdou do avô o hábito de jogar palavras cruzadas, além de também ter praticado Sudoku na escola.
— É uma atividade de café-da-manhã pra mim, de começar o dia — disse Barbara, moradora de São Paulo, que brincou sobre o "pedido de casamento". — Esse amor platônico tem um grande entrave que são os verbos conjugados. isso daria morte em jogo de stop.

O próprio Serboncini foi fisgado pelo Wordle através do Twitter, por ter gostado do conceito do jogo. Seu maior desafio, então, era montar um dicionário em português, defasagem histórica para jogos online, o que limita o lançamento de versões brasileiras de jogos internacionais. O engenheiro criou uma série de códigos pra extrair a lista de palavras a partir de conteúdo disponível na internet. Hoje, o dicionário do Termo tem aproximadamente 19mil palavras de cinco letras.

— Mandei para alguns amigos quando terminei. Uma hora depois, já havia mais de 10 mil pessoas jogando — afirma Serboncini, que, além de engenheiro do Google Chrome, onde trabalha há 15 anos, também é membro do WHATWG, o grupo que define o padrão HTML da internet.

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