Autora de 'Pessoas Normais', Sally Rooney cita violações de diretos humanos em Israel e rejeita tradução de novo livro para hebraico

·3 minuto de leitura

A escritora irlandesa Sally Rooney, autora do best-seller "Pessoas Normais", recusou a oferta de uma editora israelense para traduzir seu novo romance, "Belo mundo, onde você está", para o hebraico, idioma oficial de Israel, devido a sua posição em relação ao conflito do país com a Palestina.

Rooney explicou sua decisão em comunicado divulgado nesta terça-feira (12), expressando o desejo de apoiar o movimento de Boicote, Desinvestimento, Sanções (BDS), uma campanha global que incentiva boicotes econômicos para acabar com "o apoio internacional à opressão de Israel sobre os palestinos e pressionar Israel a respeitar o direito internacional."

De acordo com o jornal britânico "The Guardian", o best-seller "Pessoas Normais" foi traduzido para 46 idiomas e a expectativa era de que o novo livro atingisse número semelhante. No entanto, os direitos de tradução para o hebraico ainda não foram comercializados e a proposta da editora Modan, responsável pelo lançamento dos dois romances anteriores de Rooney em Israel, foi negada.

A autora escreveu que, embora sentisse "muito orgulho" de ter seus romances anteriores traduzidos para hebraico, por enquanto "optou por não vender esses direitos de tradução para uma editora baseada em Israel."

Rooney cita em seu comunicado um relatório da Human Rights Watch, que trata dos crimes de apartheid e perseguição cometidos por autoridades israelenses contra palestino. "Esse relatório, vindo na esteira de um relatório igualmente condenatório da mais proeminente organização de direitos humanos de Israel, B'Tselem, confirmou o que grupos de direitos humanos palestinos há muito vêm dizendo: o sistema israelense de dominação racial e segregação contra os palestinos atende à definição de apartheid sob o regime internacional lei ”, diz a autora em sua a declaração.

"É claro que muitos Estados além de Israel são culpados de graves abusos dos direitos humanos. Isso também foi verdade para a África do Sul durante a campanha contra o apartheid naquele país. Neste caso específico, estou respondendo ao apelo da sociedade civil palestina, incluindo todos os principais sindicatos palestinos e sindicatos de escritores. ”

Rooney reconhece que nem todos concordarão com ela, mas diz que "sente que seria certo colaborar com uma empresa israelense que não se distancia publicamente do apartheid, nem apoia os direitos estipulados pela ONU para o povo palestino."

“Os direitos de tradução em hebraico para meu novo romance ainda estão disponíveis, e se eu conseguir encontrar uma maneira de vender esses direitos que seja compatível com as diretrizes de boicote institucional do movimento BDS, ficarei muito satisfeita e orgulhosa de fazê-lo. Nesse ínterim, gostaria de expressar mais uma vez minha solidariedade ao povo palestino em sua luta pela liberdade, justiça e igualdade ”, disse ela.

No início deste ano, Roger Waters, o cofundador do Pink Floyd, e a cantora e compositora Patti Smith assumiram uma posição semelhante a Rooney, juntando-se a mais de 600 músicos na assinatura de uma carta aberta encorajando artistas a boicotar apresentações em instituições culturais de Israel para “apoiar o povo palestino e seu direito humano à soberania e liberdade”.

O novo romance de Rooney, "Belo mundo, onde você está", foi lançado globalmente em setembro — no Brasil, foi publicado pela Companhia das Letras — e disparou para o topo das paradas de livros do Reino Unido, vendendo mais de 40 mil cópias em cinco dias, superando a marca atingida pelo romance anterior da autora, "Pessoas Normais".

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos