Autoridade iraniana diz que 50 policiais morreram em protestos

Ali Bagheri Kani em Viena

DUBAI (Reuters) - Cerca de 50 policiais foram mortos nos protestos que abalam o Irã desde setembro, disse o vice-ministro das Relações Exteriores nesta quinta-feira, dando o primeiro número oficial de mortos em meio a uma intensificação da repressão em áreas curdas nos últimos dias.

As forças de segurança iranianas têm entrado em confronto com manifestantes em todo o país, e a comissão de direitos da ONU afirmou que mais de 300 manifestantes morreram desde a morte sob custódia da curda Mahsa Amini, de 22 anos, em 16 de setembro.

O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Turk, disse nesta quinta-feira que o Irã enfrenta uma "crise de direitos humanos de pleno direito", com 14.000 pessoas presas até agora, incluindo crianças. Ele falava antes de uma sessão especial em Genebra com uma possível votação sobre a criação de uma missão de apuração de fatos.

"Cerca de 50 policiais foram mortos durante os protestos e centenas ficaram feridos", disse o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Ali Bagheri Kani, que também é o principal negociador nuclear do Irã, em entrevista à televisão indiana.

Ele não deu dados sobre o número de manifestantes mortos, mas disse que o Ministério do Interior formou um painel para investigar as mortes.

Os protestos desencadeados pela morte de Amini depois que ela foi detida pela polícia da moralidade por trajes considerados impróprios sob o estrito código de vestimenta islâmico do Irã se espalharam rapidamente por todo o país. A reivindicação se concentrou nos direitos das mulheres, mas os manifestantes também pediram a queda do líder supremo aiatolá Ali Khamenei.

(Reportagem de Parisa Hafezi em Dubai, Emma Farge em Genebra e Shivam Patel em Nova Délhi)