Autoridades afirmam que aumento de casos no Peru sinaliza segunda onda de covid-19

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Passageiros são examinados ao chegar em Lima devido à nova cepa do coronavírus, 4 de janeiro de 2021

As autoridades sanitárias peruanas dão sinais de que uma segunda onda está atingindo o país, após registrar um aumento nas internações e infecções por covid-19, enquanto reforçam o controle dos passageiros para evitar a entrada da nova cepa descoberta no Reino Unido.

"A nova variante é um perigo real e este surto que estamos tendo em nosso país pode estar anunciando que poderíamos ter uma segunda onda", revelou a ministra da Saúde, Pilar Mazzetti, nesta terça-feira perante uma comissão parlamentar dedicada à pandemia.

As hospitalizações, de acordo com dados oficiais, aumentaram notavelmente nas últimas quatro semanas, de cerca de 3.800 para 5.200, incluindo 1.200 pacientes em terapia intensiva. Da mesma forma, as mortes nas últimas semanas voltaram a ultrapassar as 50 por dia, após terem caído abaixo desse número.

A taxa de ocupação de leitos nos hospitais é de 100% na maioria dos estabelecimentos, segundo a imprensa local, que teme um novo colapso do sistema de saúde como aconteceu entre julho e agosto, nos piores meses da pandemia.

O país ultrapassou um milhão de casos confirmados no dia 22 de dezembro, em meio a severas críticas ao governo por ainda não ter conseguido concluir a compra das vacinas.

O Peru descartou por enquanto qualquer caso de contágio com a cepa britânica e suspendeu voos do Reino Unido e da Europa desde 21 de dezembro.

A ministra alertou, no entanto, que é preferível ter a noção de que "vamos ter" a nova variante do vírus no país e reforçar as medidas de biossegurança.

“Isso não quer dizer que não a tenhamos, porque já está no Chile e é muito infecciosa. Normalmente um paciente infecta três, mas com a nova variante infecta seis ou sete pessoas. Por isso temos que pensar que vamos tê-la no país", explicou Mazzetti.

Nesse contexto, está em vigor desde segunda-feira uma regra segundo a qual todos os passageiros que entram em território peruano devem cumprir uma quarentena de duas semanas, sejam eles positivos ou negativos no teste de PCR.

No aeroporto internacional de Lima, os passageiros devem assinar uma declaração indicando o local onde permanecerão em quarentena. Quem a violar poderá ser preso ou multado.

No terminal aéreo da capital peruana, autoridades de saúde testam aqueles que ainda não foram testados para descartar as variantes britânica e sul-africana, disse o Ministério da Saúde na segunda-feira.

O Peru é um dos países mais afetados na região pela pandemia, com mais de 37.800 mortes e 1.021.000 infecções.

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