Autoridades da Etiópia tentam demonstrar apoio da população à operação no Tigré

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Um homem segura cartaz de apoio aos soldados etíopes na campanha militar no Tigré, em Adis Abeba, em 12 de novembro de 2020
Um homem segura cartaz de apoio aos soldados etíopes na campanha militar no Tigré, em Adis Abeba, em 12 de novembro de 2020

As autoridades etíopes tentam ganhar o apoio da população em sua operação militar na região dissidente do Tigré e organizaram, nesta quinta-feira (12), uma campanha de doação de sangue em Adis Abeba, a qual se somou à convocação de uma manifestação que teve de ser cancelada.

Ao mesmo tempo, o governo anunciou hoje a detenção, na capital, de 150 pessoas de "etnias diversas suspeitas de prepararem atos terroristas sob as ordens do TPLF", a Frente de Libertação dos Povos do Tigré, o partido que dirige esta região do norte do país.

Além da campanha de doação de sangue, as autoridades municipais da capital também convocaram uma manifestação em apoio à intervenção militar lançada em 4 de novembro pelo primeiro-ministro, Abiy Ahmed, contra a TPLF no Tigré, mas depois decidiram cancelá-la.

"O objetivo da doação de sangue é mostrar nosso respeito para com o Exército", explicou a prefeita de Adis Abeba, Adanesh Abebe, que também doou sangue.

A TPLF, que governou o país por 30 anos, acusa o Executivo de Abiy de marginalizá-la na tomada de decisões e está há meses desafiando seu poder. Em setembro, organizou uma votação no Tigré que o governo central classificou de "ilegítima".

Abiy, prêmio Nobel da Paz em 2019, alega que sua operação militar busca substituir a TPLF por "instituições legítimas" e acusa o governo da região rebelde de ter atacado duas bases do Exército, algo que a TPLF nega.

A violência na região provocou um êxodo dos habitantes para o vizinho Sudão, cuja fronteira teria sido cruzada por cerca de 11.000 pessoas, segundo a agência sudanesa encarregada dos refugiados.

Nesta quinta, o primeiro-ministro afirmou no Facebook que as Forças Armadas haviam "liberado" a zona ocidental do Tigré, uma das seis zonas administrativas dessa região, além de sua capital, Mekele (no leste), e outra localidade próxima.

Em seu comunicado, Abiy acusou as forças da TPLF de "crueldade" e disse que haviam sido encontrados "corpos de soldados executados, de pés e mãos atados".

As comunicações com a região estão cortadas, e as restrições aos deslocamentos dos jornalistas tornam impossível contrastar essas informações.

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