Autoridades da região etíope do Tigré assumem disparos de mísseis contra Eritreia

Robbie BOULET
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Civis etíopes fogem dos confrontos na região de Tigré, em 13 de novembro de 2020, ao leste de Gadaref, Etiópia
Civis etíopes fogem dos confrontos na região de Tigré, em 13 de novembro de 2020, ao leste de Gadaref, Etiópia

As autoridades da região etíope dissidente de Tigré admitiram, neste domingo (15), que dispararam mísseis na véspera contra a capital da vizinha Eritreia, a quem acusam de ajudar o Exército federal etíope na sua ofensiva.

Com isso, aumentam os temores de que o atual conflito possa se agravar.

O conflito no Tigré explodiu em 4 de novembro, quando o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, ordenou uma ofensiva do Exército federal na região, após meses de tensões com autoridades regionais, lideradas pela Frente de Libertação Popular TIGRE (TPLF).

Primeiro-ministro desde 2018, Abiy recebeu o Prêmio Nobel da Paz no ano passado por ter alcançado a paz com a Eritreia, com quem a Etiópia mantinha relações ruins desde a guerra de 1998-2000. À época, a TPLF estava no comando do país.

Abiy foi afastando a TPLF, progressivamente, do poder. A sigla representa a minoria do Tigré (6% da população) e que controlou, por quase 30 anos, o aparato político e de segurança da Etiópia, o segundo país mais populoso do continente, com 100 milhões de habitantes.

Vários responsáveis desta legenda estão sendo processados por casos de corrupção. Enquanto isso, Abiy afirma que quer instalar "autoridades legítimas" no Tigré, desarmar suas forças, restabelecer o estado de direito e levar seus líderes à Justiça.

Nos últimos dias, a TPLF acusou a Eritreia, seu arqui-inimigo, de permitir que o Exército etíope usasse seu território (limítrofe com toda fronteira norte do Tigré) para a entrada de tropas, ou a decolagem de seus aviões.

A formação separatista afirma ainda que o Exército da Eritreia também participará do combate terrestre no Tigré.

Neste domingo, o presidente do Tigré disse à AFP que a TPLF havia lançado os mísseis que, segundo diplomatas instalados em Addis Abeba, atingiram na véspera as proximidades do aeroporto de Asmara, capital da Eritreia.

"As forças etíopes também usam o aeroporto de Asmara", o que o torna "um alvo legítimo", justificou o presidente do Tigré, Debretsion Gebremichael.

As tropas do Tigré "lutam há vários dias contra as forças da Eritreia em várias frentes", reiterou o presidente regional.

Nem o governo etíope nem as autoridades da Eritreia reagiram no domingo ao tiroteio, ou às acusações de Debretsion.

Até agora, não há informações de danos, ou vítimas, na Eritreia, um dos Estados mais herméticos do mundo, liderado com mão de ferro por Issaias Aferworki desde sua independência em 1993.

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