Autoridades médicas dos EUA defendem campanha de vacinação contra covid-19

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A campanha de vacinação contra a covid-19 nos Estados Unidos ganha ritmo e poderá chegar a 1 milhão de injeções por dia - indicaram autoridades de saúde neste domingo (3), rejeitando afirmações do presidente Donald Trump de que o balanço oficial do número de casos e mortos é exagerado.

A maior potência mundial, país mais afetado pela pandemia, superou 350 mil mortes pela doença e aposta todas as fichas em uma rápida campanha de vacinação em massa .

O governo de Donald Trump havia prometido que 20 milhões de pessoas seriam vacinadas até o final do ano. Até agora, porém, pouco mais de 4,2 milhões receberam a primeira de duas doses da inoculação com as duas vacinas autorizadas no país - Pfizer/BioNTech, ou Modern -, de acordo com dados do Centro para Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês).

"Houve algumas falhas, isso é compreensível", afirmou o principal assessor científico do governo, dr. Anthony Fauci, à rede ABC, alegando que "começar um programa de vacinação em massa e iniciá-lo com o pé direito" sempre terá desafios.

O diretor médico dos Estados Unidos, Jerome Adams, disse à emissora CNN que as vacinas começaram em um contexto difícil: em meio a uma explosão no número de casos e das festas de fim de ano, dois fatores que colocam à prova equipes médicos já saturadas.

O presidente Trump culpou hoje os governos locais pelos atrasos: "As vacinas são distribuídas aos estados pelo governo federal mais rapidamente do que eles podem administrá-las!", tuitou. "O número de casos e mortes pelo Vírus da China é muito exagerado nos Estados Unidos pelo ridículo método de contagem do @CDCgov comparado ao de outros países, muitos dos quais, intencionalmente, relatam números muito inexatos e baixos. 'Na dúvida, chamem de Covid'. Notícias falsas!", publicou Trump.

Jerome Adams, que foi indicado ao cargo pelo próprio Trump, disse não ter motivos para questionar os números dos CDCs de todo país. Já Anthony Fauci afirmou que "esses são números reais, pessoas reais e mortes reais".

- Meio milhão de doses por dia -

Ambos os responsáveis mostraram-se otimistas em relação ao ritmo da campanha de vacinação. "A boa notícia é que estamos vendo (o ritmo) acelerar rapidamente, graças aos nossos parceiros nos estados", celebrou Adams.

"Nas últimas 72 horas, 1,5 milhão de primeiras injeções foram ministradas (...), o que equivale a 500 mil por dia", por dia. "É muito mais do que era a princípio", completou Fauci, acrescentando que "podemos chegar a 1 milhão por dia". "Executamos programas de vacinação em massa em nossa história. Não há razão para que não possamos fazer isso hoje. (...) Podemos fazer isso", insistiu.

O cientista considerou que, após os grupos prioritários, a população em geral poderá começar a ser vacinada "no final de março, ou início de abril", a um ritmo de pelo menos um milhão de pessoas por dia. Isso significa que a imunidade coletiva poderá ser alcançada "no final do verão" (inverno no Brasil).

Moncef Slaoui, autoridade máxima do programa de vacinação americano, batizado de Operação Warp Speed, também mostrou otimismo quanto ao aumento da vacinação após a temporada de festas. Ele criticou a decisão britânica de adiar por semanas a aplicação da segunda dose a fim de que o maior número possível de pessoas receba a primeira. "Sem nenhum dado, não acredito que isso seja responsável."

Slaoui antecipou que é estudada outra alternativa para a vacina da Moderna: administrar meia dose duas vezes. "Sabemos que provoca a mesma resposta imunológica."

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