'Autorizado' pelo presidente do PSB, Molon mantém candidatura ao Senado: 'Me causam espanto alguns ataques'

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Após ser pressionado pelo PT e sofrer represálias do próprio partido, Alessandro Molon (PSB) anunciou, nesta sexta-feira, que seguirá candidato ao Senado e irá abrir uma vaquinha para financiar sua campanha, já que o diretório nacional pessebista anunciou que cortará o repasse de verbas para o correligionário. Segundo Molon, o acordo que o PT alega ter existido para ele ceder a vaga da disputa a André Ceciliano (PT), presidente da Assembleia Legislativa do Rio, nunca foi firmado.

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— Nunca houve um acordo do PSB com o PT para que vaga ao Senado fosse cedida. Eu nunca fiz, nunca participei, nem autorizei, acordo para que essa vaga fosse cedida ao Partido dos Trabalhadores. Nem eu que sou presidente estadual, e nem o presidente nacional, Carlos Siqueira, que me autorizou a dizer isso expressamente na minha comunicação — assegurou Molon.

O presidente estadual do PSB afirmou ainda que vem sendo alvo de ataques e desinformação. Ele questionou a pressão que vem recebendo dentro da própria esquerda, argumentando que foi líder da oposição ao governo Bolsonaro no Congresso Nacional por indicação dos mesmo partidos que agora pedem sua saída da disputa — entre eles PT, PCdoB e PV.

— Me causam espanto alguns ataques que a gente vem recebendo, como se não pudéssemos representar a oposição nessa disputa pelo Senado. Precisamos resistir e manter a pré-candidatura para vencer o Senado — disse.

Ele afirmou que ainda espera reverter a decisão do PSB de não financiar sua campanha. Segundo o pessebista, a decisão ocorreu por conta da pressão do PT sobre setores de seu partido, mas não representa a posição final da legenda. Apesar de não ter mencionado nomes, ele se referia a correligionários como Márcio França, Danilo Cabral e João Campos que lideraram o boicote à sua candidatura dentro do partido.

— Estamos recebendo uma pressão indevida que viola a vontade dos eleitores que pretendem votar em mim. Creio que essa decisão não prevalecerá e espero que a posição desses setores do PSB seja revista — afirmou.

Apesar do PT exigir que o candidato ao governo de seu partido, Marcelo Freixo (PSB), dê palanque apenas para André Ceciliano, Molon descartou essa hipótese.

— Nós estaremos no palanque de Freixo porque ele é o candidato do PSB e de outros partidos que nos apoiam. Evidentemente que não aceitamos ser excluídos do palanque do nosso candidato — asseverou o pessebista, que conta com o apoio de PSOL, Rede e Cidadania para sua candidatura.

Nesse momento, o vice-presidente estadual do PSB, Carlos Minc, que estava ao lado de Molon na coletiva, desabafou:

— Só faltava né? — declarou.

Minc também fez uma intervenção sobre o acordo que o PT alega existir destinando a vaga ao Senado da chapa de Marcelo Freixo ao presidente da Alerj, André Ceciliano.

— De todas essa versões sobre o acordo, nenhuma delas aponta que dia foi feito, aonde foi feito e quais as pessoas que estavam na assinatura desse acordo nesses termos — alegou.

Molon é o pivô da crise entre PT e PSB, por manter seu projeto de disputar a vaga de postulante ao Senado na chapa de Freixo candidato ao Palácio Guanabara. Em uma reunião no começo da tarde desta sexta-feira, a executiva nacional do PT aprovou a manutenção da aliança em torno da candidatura Freixo, mesmo diante da insistência de Molon seguir na disputa.

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A costura que previa apenas Ceciliano candidato ao Senado teria sido conduzida pelo próprio Lula. Apesar da pressão do PT, Molon afirmou nesta sexta que irá fazer campanha para Lula "independentemente de qualquer coisa".

Na quinta-feira, em entrevista ao GLOBO, André Ceciliano voltou a cobrar que os acordos partidários sejam respeitados. No entanto, baixou o tom em relação a Molon, dizendo que "vai respeitar" a decisão do PSB. O presidente da Alerj esboçou sua estratégia para atrair eleitores em um possível cenário eleitoral com dois nomes da esquerda na disputa ao Senado.

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— Eu sou um soldado do meu partido. Não tenho nada contra ele (Molon). Mas acho que a candidatura dele não amplia — disse o deputado estadual, completando: — Eu, ao contrário, fui prefeito de Paracambi duas vezes, presidi a Alerj na pior crise do Rio e sou da Baixada Fluminense, região onde tenho muito trabalho para mostrar.

No mês passado, antes de mudar o teor de suas falas a respeito do tema, ao participar de um ato político de Lula que teve a participação de Molon, Ceciliano chegou a se referir ao deputado pessebista — sem citar seu nome — como "covarde". Contudo, mesmo recuando, o petista manteve as críticas ao companheiro, a contragosto, de chapa:

— Na política, o maior ativo que se pode ter é fazer compromisso, acordos democráticos, e cumpri-los.

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