'Autorizado' pelo presidente do PSB, Molon mantém candidatura ao Senado: 'Me causam espanto alguns ataques'

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Após ser pressionado pelo PT e sofrer represálias do próprio partido, Alessandro Molon (PSB) anunciou, nesta sexta-feira, que seguirá candidato ao Senado e irá abrir uma vaquinha para financiar sua campanha, já que o diretório nacional pessebista anunciou que cortará o repasse de verbas para o correligionário. Segundo Molon, o acordo que o PT alega ter existido para ele ceder a vaga da disputa a André Ceciliano (PT), presidente da Assembleia Legislativa do Rio, nunca foi firmado.

— Nunca houve um acordo do PSB com o PT para que vaga ao Senado fosse cedida. Eu nunca fiz, nunca participei, nem autorizei, acordo para que essa vaga fosse cedida ao Partido dos Trabalhadores. Nem eu que sou presidente estadual, e nem o presidente nacional, Carlos Siqueira, que me autorizou a dizer isso expressamente na minha comunicação — assegurou Molon, que mencionou "ataques" em sua fala: — Me causam espanto alguns ataques que a gente vem recebendo, como se não pudéssemos representar a oposição nessa disputa. Precisamos resistir e manter a pré-candidatura para vencer o Senado.

O pessebista foi o pivô da crise entre PT e PSB, por manter seu projeto de disputar a vaga de postulante ao Senado na chapa de Marcelo Freixo (PSB), candidato ao Palácio Guanabara. De acordo com integrantes do PT, Molon estaria descumprindo um acordo que previa somente Ceciliano como candidato ao Senado na aliança que formará o palanque de Luiz Inácio Lula da Silva no estado.

Em uma reunião no começo da tarde desta sexta-feira, a executiva nacional do PT aprovou a manutenção da aliança em torno da candidatura Freixo, mesmo diante da insistência de Molon seguir na disputa. A costura que previa apenas Ceciliano candidato ao Senado teria sido conduzida pelo próprio Lula.

Na quinta-feira, em entrevista ao GLOBO, André Ceciliano voltou a cobrar que os acordos partidários sejam respeitados. No entanto, baixou o tom em relação a Molon, dizendo que "vai respeitar" a decisão do PSB. O presidente da Alerj esboçou sua estratégia para atrair eleitores em um possível cenário eleitoral com dois nomes da esquerda na disputa ao Senado.

— Eu sou um soldado do meu partido. Não tenho nada contra ele (Molon). Mas acho que a candidatura dele não amplia — disse o deputado estadual, completando: — Eu, ao contrário, fui prefeito de Paracambi duas vezes, presidi a Alerj na pior crise do Rio e sou da Baixada Fluminense, região onde tenho muito trabalho para mostrar.

No mês passado, antes de mudar o teor de suas falas a respeito do tema, ao participar de um ato político de Lula que teve a participação de Molon, Ceciliano chegou a se referir ao deputado pessebista — sem citar seu nome — como "covarde". Contudo, mesmo recuando, o petista manteve as críticas ao companheiro, a contragosto, de chapa:

— Na política, o maior ativo que se pode ter é fazer compromisso, acordos democráticos, e cumpri-los.

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