Auxílio Brasil: governo garante que até dezembro habilitados estarão incluídos no programa; filas se multiplicam no Rio

·5 min de leitura

As filas de possíveis beneficiários do Auxílio Brasil se multiplicam pelo país. São milhares de pessoas com dúvidas se farão jus ao programa substituto do Bolsa Família, são órfãos do Auxílio Emergencial, mães chefes de família que sem emprego e sem renda correm contra o tempo para garantir algum sustento aos seus filhos. Muitas dormem nas calçadas, voltam dia após dia atrás de explicações sobre o novo programa, que começará a ser pago na próxima semana. E com um agravante: há quem não consiga atendimento e seja agendado somente para janeiro do ano que vem.

O Ministério da Cidadania tem informado que não é preciso atualizar o Cadastro Único (CadÚnico), porta de entrada de programas sociais do governo, a fim de diminuir as filas nos postos, e garantiu ao Extra que todos os habilitados ao programa serão contemplados. Agora em novembro, segundo a pasta, serão beneficiadas 14,6 milhões de pessoas inscritas no extinto Bolsa Família. Em dezembro esse número vai chegar a 17 milhões.

"Cheguei aqui (no CRAS de Paciência) na quarta-feira as 9h da noite, dormi no chão duro e consegui ser atendida hoje as 10h da manhã". Esse é o relato da gestante Paola Fernanda Barbosa, de 27 anos de idade, moradora da Favela do Aço, em Paciência, na Zona Oeste do Rio. A jovem é mais uma das milhares de pessoas que têm buscado os Centros de referência e Assistência Social (CRAS) para tirar dúvidas e manter o cadastro atualizado para receber o Auxílio Brasil, programa substituto do extinto Bolsa Família. O temor de Paola é o mesmo de milhares que se aglomeram nos postos: será que vou receber o novo auxílio?

Nilda conta que o marido e o filho chegaram na porta do CRAS a quarta-feira por volta das 21h e guardaram lugar na fila, que já era grande mas não chegava a 25 pessoas. Ela se agasalhou e foi para a porta do posto por volta da meia-noite.

— Consegui atualizar meu CadÚnico, minha filha agora é maior de idade, e fiquei com medo disso interferir no recebimento do novo auxílio — explica Nilda, que tinha expectativa de receber os R$ 400 do Auxílio Brasil já na próxima semana.

Os R$ 400 anunciados pelo governo, no entanto, dependem da aprovação da PEC dos Precatórios, que autoriza o governo a pegar os recursos de dívidas que têm com cidadãos, estados e municípios para pagar o programa de transferência de renda, o que para Nilda é "descobrir um santo para cobrir outro".

— O governo dá com uma das mãos e tira com a outra. Aumenta o Bolsa família mas não controla os preços e a gente acaba gastando mais para comprar menos — lamenta.

A ação, ou falta dela, também é citada por Rosângela Cabral, de 63 anos de idade, moradora de Madureira, na Zona Norte do Rio, que esperava atendimento no CRAS José Carlos Campos, em Rocha Miranda, na Zona Norte.

— Estou desempregada e com a minha idade as pessoas não contratam mais, o que dificulta a minha vida — diz Rosângela, que nunca recebeu Bolsa Família e estava esperando para fazer sua inscrição no CadÚnico.

— Com o fim do Auxílio Emergencial fiquei sem renda e não sei como vou fazer para sobreviver. Seria muito bom que os governantes olhassem mais para os pobres. É uma vergonha o que estão fazendo com os brasileiros, não merecíamos passar por tantas privações — diz Rosângela.

Procurada, a secretária de Assistência Social do Rio, Laura Carneiro, creditou à falta de regras claras sobre a abrabgência do Auxílio Brasil, e às dificuldades financeiras da população, a lotação dos CRAS.

— O público diário médio de cada CRAS soma 70 pessoas. Esse público está se multiplicando porque não são claras as informações sobre o novo programa de transferência de renda do governo federal e as famílias vulneráveis estão angustiadas, sem saber se receberão ou não seu benefício — diz a secretária.

Segundo ela, de janeiro até outubro, os 47 CRAS atenderam mais de 800 mil pessoas.

— Ontem (quarta-feira), no CRAS Professora Helenice Nunes Jacintho foram realizados 167 atendimentos e desses, 77 queriam fazer o CadÚnico — pontua.

— O que está acontecendo é que não estão claras até agora — nem para a população, nem para os gestores municipais — quem são os novos beneficiados pelo Auxílio Brasil. Podem estar entre as 1,5 milhão de pessoas que recebiam o Auxílio Emergencial no Rio até outubro e podem estar entre os cadastrados no CadÚnico, mas que nunca receberam o Bolsa Família.

Ela acrecenta que "no Rio, desde maio, quando o governo federal parou de incluir novos cadastrados no Bolsa Família, mais de 41 mil novas famílias entraram no CadÚnico e continuam fora do Bolsa Família. A primeira planilha com essa relação chegou a ficar no ar por algumas horas na terça-feira (9) no Sibec (Sistema de Benefícios ao Cidadão), mas o sistema saiu do ar e ainda não voltou".

— Hoje no Rio há 303.654 famílias beneficiadas pelo Bolsa Família. De acordo com a tabela que ficou no ar algumas horas na terça-feira, mais de 3 mil famílias ficariam de fora da folha de pagamento em novembro — afirma.

— A população vulnerável está muito angustiada, pois não sabe se será contemplada no novo programa. Os gestores municipais ainda não têm todas as informações. E ressaltamos, como Assistência Social, que estamos falando da população mais vulnerável da cidade, na linha da pobreza e da extrema pobreza, que, muitas vezes, não tem um aparelho celular e nem conexão com internet. A divulgação das regras deve ser ampla e bastante clara — finaliza a secretária.

Já o Ministério da Cidadania frisou que "a inscrição no Cadastro Único não resulta na imediata concessão dos benefícios do Auxílio Brasil".

De acordo com a Cidadania, "serão priorizadas famílias a partir de critérios baseados num conjunto de indicadores sociais capazes de estabelecer com mais precisão as situações de vulnerabilidade social e econômica".

Questionado sobre o canal de consulta anunciado pela pasta, o miiistério não informou se será possível saber os valores a serem pagos e não detalhou como será esse canal.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos