Auxílio carioca: confira quem vai receber, valores e como ter acesso ao benefício da prefeitura do Rio

Geraldo Ribeiro e Rafael Nascimento de Souza
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“Meu sonho é que isso acabe logo para eu conseguir um trabalho. É muito triste não ter comida dentro do armário. Hoje, vamos comer o arroz, feijão e uma sobra de frango”. Preparando o pouco que consegue de doações para alimentar a família, a cuidadora de idosos desempregada Vanilza Maria da Silva Rodrigues, de 42 anos, divide um barraco de três cômodos com outras 12 pessoas, em Senador Vasconcelos, na Zona Oeste. Segundo ela, a situação se agravou com o fim do auxílio emergencial do governo federal, que recebeu até dezembro. Sem ter dinheiro até mesmo para comprar gás, ela conseguiu um forno elétrico no lixo, no qual prepara as refeições.

O alívio para a família de Vanilza e de outras 900 mil pessoas poderá vir dos cofres municipais. O prefeito Eduardo Paes anunciou ontem, durante o “Reage, Rio!”, evento realizado pelos jornais EXTRA e O Globo, com o apoio do Rio de Mãos Dadas e da Fecomércio RJ, o programa Auxílio Carioca, que garantirá a distribuição de cerca de R$ 100 milhões para quem está sendo afetado pela pandemia. Os benefícios serão concedidos a cerca de 14% da população carioca ainda em março, segundo o município.

Os valores vão variar de acordo com diferentes grupos. Cada uma das 50 mil pessoas cadastradas no Cartão Família Carioca será contemplada com R$ 240, em média, totalizando R$ 12 milhões. O dinheiro começa a ser liberado na próxima quarta-feira. Esse valor, no entanto, já estava previsto em orçamento e é referente a pagamentos atrasados do programa que já existe e à antecipação da parcela de abril.

Auxílio Carioca vai atingir ainda 13 mil ambulantes cadastrados na prefeitura, que recebem parcela única de R$ 500, cada. Confira os outros benefícios no infográfico ao lado. O objetivo, segundo o prefeito, é diminuir o impacto do feriado de dez dias que começa amanhã:

— Sei que essas restrições impactam brutalmente na vida das pessoas, que têm suas atividades econômicas interrompidas. Muita gente está passando necessidade, desempregada e sem condições de levar comida para casa. Esse drama, obviamente, quando tem paralisação, aumenta — afirmou Paes, destacando que, para viabilizar os pagamentos, conta com uma doação de R$ 30 milhões da Câmara Municipal.

Já os responsáveis por 643 mil alunos da rede municipal que têm o Cartão Alimentação — benefício mensal — receberão R$ 108,50, por criança. Metade do custo de R$ 70 milhões será para antecipar o mês de abril e o restante será um complemento. A primeira parte será liberada até este sábado, e o restante até 2 de abril.

Outras 23 mil famílias carentes inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) do governo federal, que não são atendidas por benefícios como o Bolsa Família e o Cartão Carioca, terão direito a R$ 200. Elas devem procurar os Centros de Referência de Assistência Social (Cras) ou os Centros de Referência Especializados em Assistência Social (Creas), para buscar orientações sobre como ter acesso ao benefício.

— A ideia é que a gente ente fazer uma busca ativa dessas famílias — informou a secretária de Assistência Social, Laura Carneiro.

A aposentada Dagmar Zair de Araújo, de 66 anos, vizinha de Vanilza, se vira para fazer render o salário mínimo que recebe. Ela sustenta a casa, onde vive com três filhos e quatro netos, todos sem renda. Apenas uma neta dela estuda na rede municipal, mas não conseguiu o Cartão Alimentação por falta de documentação.

— Tudo está muito mais difícil. Estamos sobrevivendo com o material reciclável que uma filha cata nas ruas. Hoje, meu filho comprou um pacote de arroz. Ontem, minha filha ganhou um pacote de macarrão, que vou guardar. O almoço será arroz, feijão e salsicha. E a gente vai se virando até eu receber a aposentadoria — disse.

Não tão distante, mora a desempregada Elaine Moura Ribeiro, 64, que reside em uma casa com 11 pessoas, separadas em alguns cômodos. Até o ano passado, ela recebeu os R$ 600 do auxílio federal. Hoje, toda a família tem que sobreviver com um salário mínimo de um dos filhos que tem síndrome de down.

— Só estamos vivendo com R$ 1.100,00 da aposentadoria do meu filho. Com o auxílio dava para encher a geladeira. Agora não tem nada: só tem água. Hoje (ontem) eu tenho isso aqui de almoço (ela abre um pote de sorvete e mostra um pouco de feijão branco que ganhou de uma prima).

O governo do estado também se prepara para conceder um auxílio emergencial, o Supera Rio, a partir de abril. Estava previsto o pagamento de até R$ 300 para 400 mil fluminenses carentes, mas ainda não saiu a definição.

Na Região Metropolitana do Rio, um outro exemplo de ajuda aos necessitados vem de Niterói que, desde abril, transfere R$ 500 por mês a cerca de 50 mil famílias, microempresários individuais (MEI), taxistas e motoristas de aplicativo. Além disso, também paga um salário mínimo até nove empregados de empresas registradas na cidade. São Gonçalo, Caxias e Nova Iguaçu pagam auxílio alimentação aos alunos. Já o auxílio emergencial do governo federal deve voltar a ser pago no mês que vem.