Auxílio emergencial tem de ser substituído por Bolsa Família fortalecido, diz Guedes

Manoel Ventura e Fernanda Trisotto
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BRASÍLIA — O ministro Paulo Guedes afirmou nesta terça-feira que o auxílio emergencial tem que ser substituído por um programa de transferência de renda fortalecido, como o Bolsa Família, com valor mais alto do que R$ 170, mas que seja "sustentável".

— Esse auxílio emergencial, quando for interrompido, tem que ser substituído por um Renda Brasil fortalecido, ou um Bolsa Família fortalecido, mas sustentável, com valor mais alto do que os R$ 170 que tinha antigamente — disse o ministro, em audiência pública na Câmara dos Deputados.

Em entrevista ao GLOBO, publicada no domingo, Guedes já havia admitido a necessidade de reforçar o Bolsa Família e criar os programas de inclusão produtiva.

Nesta terça, Guedes também admitiu que chegar ao mesmo valor que foi pago pelo auxílio emergencial será difícil, algo que só foi realizado desta vez por conta das dificuldades impostas pela pandemia.

— No auxílio emergencial a gente consegue dar R$ 600, mas ele é de natureza diferente, o Bolsa Família é outra coisa. O auxílio emergencial é uma transferência de renda para esse período de pandemia. Não são recursos sustentáveis — explicou.

Guedes voltou a dizer que o PT conseguiu vencer quatro eleições presidenciais seguidas porque fez um programa de transferência de renda aos mais pobres.

— (O PT) ganhou quatro eleições seguidas merecidamente, porque fez a transferência de renda para os mais frágeis com um bom programa. Um programa que envolvia poucos recursos e que tinha um altíssimo impacto social — disse o ministro.

Guedes foi questionado sobre a redução no valor do auxílio emergencial. O benefício, no ano passado, foi de R$ 600, caiu para R$ 300 e, em 2021, pode variar entre de R$ 150 a R$ 375 por mês.

Ele respondeu que o programa tem que ser adotado com responsabilidade com as contas públicas. Ele disse que, por travas financeiras, os governo do PT deixaram o benefício médio do Bolsa Família na faixa de R$ 170 por mês.

Sobre o aumento da dívida pública, Guedes disse que o país está "pagando uma parte da guerra”, sem deixar as contas para as próximas gestões. Por isso, ele afirmou que alguns contrapontos são necessários à medida que os auxílios são concedidos pelo governo:

— Nos endividamos pagando uma parte da guerra, não estamos jogando os custos para nossos netos. Por isso estamos soltando os auxílios e pedindo algumas contrapartidas, no que se refere à reforma administrativa, ou sobre não haver aumento do auxílio emergencial durante a guerra ao vírus.