Auxílio Brasil cria lista de espera; benefício era campanha eleitoral do governo

Crowd of buisness people standing in a line. People crowd. Vector illustration
A fila de espera pelo benefício ainda está longe de terminar, apontam entidades (Getty Image)
  • O Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família, ainda tem uma demanda reprimida;

  • A estimativa é que ao menos 1 milhão de famílias estejam esperando pelo benefício;

  • Mais de 8 mil núcleos familiares que aguardam estão em situação de rua, dizem levantamentos.

Quando um governante está chegando perto do fim de um mandato e planeja a reeleição, costuma realizar ações para criar simpatia perante o eleitorado. No entanto, nem sempre as ações planejadas têm o efeito esperado.

Após anunciar no começo deste ano que conseguiu zerar a fila de espera, o governo Bolsonaro decretou um sigilo não oficial sobre o número de cidadãos que foram habilitados para o Auxílio Brasil, mas ainda não estão recebendo o benefício.

Os estudo realizado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) aponta que em fevereiro havia uma uma demanda reprimida de 1 milhão de famílias. A organização utilizou o do Cadastro Único (o Cecad), do Ministério da Cidadania., para chegar a esse cálculo.

Na lista, quase oito mil são famílias em situação de rua. De acordo com as regras do antigo Bolsa Família, teriam prioridade na fila. Já 233 mil têm filhos com até quatro anos de idade.

A Rede Brasileira de Renda Básica (RBRB) aponta que existe ainda um novo problema que mascara ainda mais os números. A entidade afirma que brasileiros em situação de vulnerabilidade não estariam conseguindo completar o cadastramento nos Centros de Referência de Atendimento Social dos municípios.

Reunindo mais de 150 especialistas e entidades que atuam na área, uma reunião da direção da RBRB, que aconteceu na semana passada, pressionou o Ministério da Cidadania.

Conforme informações obtidas pelo Estadão, Leandro Ferreira, presidente da entidade, teria dito que "habilitar não é concessão". Isso significaria que para ser habilitada ao programa, as famílias têm de se enquadrar em critérios de pobreza e extrema pobreza. De acordo com Ferreira, esse processo está sendo atrasado de diversas maneiras, inclusive a própria validação do cadastro.

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