Auxílio emergencial pode ser estendido por até 3 meses, admite Guedes

·3 minuto de leitura
  • Ministério da Economia estuda prorrogação do auxílio emergencial por até três meses

  • Paulo Guedes admite que números da pandemia seguem ruins

  • Atual etapa do benefício começou a ser paga em maio e acaba em julho

O Ministério da Economia estuda a prorrogação do auxílio emergencial por até três meses, de agosto a outubro. Segundo integrantes da equipe econômica, o ministro Paulo Guedes já admite que, se os números da pandemia seguirem ruins, a extensão do benefício será inevitável.

A atual etapa do auxílio emergencial começou a ser paga em maio deste ano e terá três parcelas, que acabarão em julho. O valor médio do benefício é de R$ 250.

Leia também

Membros do Centrão defendem a medida como a única forma do presidente Jair Bolsonaro melhorar os índices de avaliação e conseguir a reeleição.

O ministério pensa na extensão do auxílio emergencial como forma de transição para o novo Bolsa Família. Guedes fala em uma “aterrisagem suave” para aqueles que perderão o benefício. O novo programa também teria um aumento no valor, em relação ao Bolsa Família, que hoje paga R$ 190. O novo valor seria de R$ 260.

Mesmo com a liberação da primeira parcela da nova rodada de auxílio emergencial, a desaprovação ao desempenho do presidente Jair Bolsonaro continua alta, com 52%, sendo a pior desde o começo do governo. Os dados da pesquisa Exame/Ideia mostram que a aprovação é de 24%. Já os que nem aprovam nem desaprovam somam 22%.

Durante o mês de abril, o governo federal liberou a primeira parcela do benefício para 45 milhões de pessoas. Maurício Moura, fundador do IDEIA, instituto de pesquisa, explica que a nova rodada do pagamento impactou pouco a avaliação positiva do presidente.

“Esses números corroboram com a importância desse auxílio para manter as pessoas em casa, com o mínimo de condições de sobrevivência. Há uma grande expectativa de que o auxílio só termine em dezembro. Somente 18% acham que o auxílio terminará em julho, como é previsto pelo governo. Então, tem um potencial de perda de popularidade se as expectativas da população não se concretizarem”, diz Maurício Moura.

Em 2020, a concessão do auxílio emergencial acarretou em uma melhora na avaliação de desempenho de Bolsonaro.

Nova rodada de pagamento do auxílio emergencial

Em 2020, foram pagas cinco parcelas de R$ 600 e outras quatro de R$ 300. O pagamento fez disparar a popularidade do presidente Bolsonaro, que se refere ao benefício como "o maior programa social do mundo".

O governo também autorizou no ano passado o pagamento para até duas pessoas por lar.

Neste ano, os valores pagos variam entre R$ 150, R$ 250 ou R$ 375, dependendo do critério do beneficiário:

  • R$ 150 para pessoas que vivem só

  • R$ 250 para famílias

  • R$ 375 para famílias chefiadas por uma mulher, sem cônjuge, com no mínimo uma pessoa menor de 18 anos - 50% mais alto do que o benefício básico

Na nova rodada, é permitido que apenas uma pessoa por família receba o benefício.

Governo enfrenta desgaste com CPI

Desde o início de maio, o governo de Jair Bolsonaro enfrenta a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado para investigar possíveis falhas na gestão da pandemia. 

"O que chama a atenção é que as pessoas acreditam que a CPI vai alcançar três objetivos: encontrar culpados, gerar mais vacina ou aumentar o ritmo de vacinação, e também garantir mais auxílio de renda durante o período da pandemia. O ritmo de vacinação é uma variável crítica que reflete diretamente na popularidade presidencial”, afirma Moura.