Avô de meninos mortos pela mãe contou que a filha lhe enviou mensagem de voz dizendo: 'o sofrimento acabou'

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O titular da 67ª DP (Guapimirim) Antonio Silvino Teixeira pediu à Justiça a quebra do sigilo de dados dos dois celulares de Stephani Ferreira Peixoto, de 35 anos, acusada de matar Arthur Moisés e Bruno Leonardo Ferreira da Silva, de 3 e 6 anos, respectivamente, a golpes de faca. O crime ocorreu no início da tarde do último dia 10, no Parque Fleixal, no município de Guapimirim, na Baixada Fluminense. O pai de Stephani, Moisés Peixoto contou a polícia que recebeu uma mensagem de voz da filha pelo celular, em que ela dizia ter matado as crianças e que estava morrendo. Segundo o avô das crianças, ela repetiu várias vezes: "o sofrimento acabou". Stephani tentou se matar cortando os pulsos, mas conseguiu sobreviver.

De acordo com a representação pelo afastamento do sigilo de dados dos dois telefones da acusada — um deles era usado pelo filho Bruno para jogar —, o delegado argumenta que pretende encontrar nos aparelhos alguma "mensagem, fotografia ou qualquer outro indício do que possa ter originado o fato em apuração". No entanto, no pedido de quebra dos dados à Vara Ciminal da Comarca de Guapimirim, não consta o mesmo pedido em relação ao telefone do pai das crianças, o pedreiro Carlos Leonardo da Silva, que três dias antes da tragédia, teve uma briga com Stephani. O desentendimento resultou na separação dos dois. Carlos decidiu sair de casa na mesma noite.

Segundo vizinhos, no último dia 7, data em que o filho Bruno fez aniversário, a discussão entre o casal foi tão séria que a Polícia Militar chegou a ser chamada por eles. O pai das crianças confirmou a ida na PM até a casa deles, mas disse que não quis registrar a ocorrência. Ele acusou Stephani de agredi-lo, tentando inclusive esfaqueá-lo. No entanto, no exame de corpo de delito dela, a perícia constatou que ela tinha edema no nariz e múltiplas equimoses na mama direita. Ao ser questionada pelo perito sobre as marcas pelo corpo, a acusada contou que havia sido agredida pelo marido com "soco e cadeiradas", no dia em que brigaram.

Na noite do desentendimento entre Carlos e Stephani, uma vizinha declarou que o marido dela ouviu gritos de socorro de dentro da casa. Segundo a testemunha, ele disse a esposa que a voz era de mulher. Essa mesma moradora, que pediu para não ser identificada, contou ao GLOBO que, na frente da casa, havia uma mesa com cadeiras, mas que na data do duplo homicídio, os objetos não estavam mais lá.

No fim de semana anterior à tragédia, logo depois da separação do casal, Carlos contou que enviou uma mensagem de texto no WhatsApp dizendo que queria ver os filhos. De acordo com seu relato na delegacia, Stephani respondeu que ele só se aproximaria das crianças com ordem da Justiça. Na segunda, dia 10, ele pretendia ver um advogado, mas recebeu uma ligação dela em que anunciava ter matado as crianças e que estava tentando se matar, “mas não conseguia morrer”. Ele contou que, desesperado, pegou o carro e foi até a casa deles. Chamou uma vizinha para acompanhá-lo, arrombou o portão, que estava trancado por um cadeado voltado para dentro, mas não teve coragem de entrar na casa. Daí, segundo ele, ficou esperando a polícia sentado na calçada.

No depoimento, ele disse ainda que não imaginava que ela fosse ter coragem, por ser uma “boa mãe, pois fazia o dever dela normal de mãe”. Segundo ele, por Stephani ter um temperamento agressivo, esperava que ela fizesse algo contra ele, mas não com as crianças. O pedreiro relatou na delegacia que ela ameaçou de “cortá-lo de cima até embaixo enquanto estivesse dormindo, mas não em desfavor dos filhos”.

A Justiça decretou a prisão preventiva da mãe das crianças, que se reservou ao direito de permanecer calada. Stephani se encontra no Hospital Psiquiátrico Roberto Medeiros, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu

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