Avanço da Covid-19 faz ocupação de UTIs em Manaus chegar a 94%

Leandro Prazeres
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A taxa de ocupação de leitos de UTI destinados a pacientes com Covid-19 em Manaus chegou a 94,13% na quarta-feira. Os dados são do boletim epidemiológico diário divulgado pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) do governo estadual. O percentual é próximo dos 96% de ocupação registrados em abril do ano passado, durante o auge da epidemia na capital do Amazonas. A cidade, uma das mais afetadas pela doença em 2020, agora enfrenta um crescimento acelerado no número de casos e internações causados pela Covid-19. Autoridades locais já falam que Manaus e o Amazonas vivem uma segunda onda da doença.

Os dados do boletim epidemiológico apontam para um avanço acelerado no número de casos e internações causadas pela Covid-19 nos últimos 15 dias. Na quarta-feira, Manaus bateu, novamente, o recorde no número de hospitalizações causadas pelo novo coronavírus. Em 24 horas, foram internadas 221 pessoas com a doença. É o segundo recorde de internações quebrado em uma semana. Para efeito de comparação, no auge da epidemia em abril de 2020, o maior número de hospitalizações causadas pela Covid-19 havia sido 168.

Os reflexos da epidemia também são sentidos nos cemitérios da cidade. Segundo a Prefeitura de Manaus, foram realizados 110 enterros na quarta-feira. O número vem subindo de forma acentuada nos últimos dias em direção ao recorde registrado no final de abril de 2020 quando 140 pessoas foram enterradas em um único dia. Na comparação entre os cinco primeiros dias de janeiro com o mesmo período de dezembro, o aumento na taxa de enterros foi de 84%. Em função disso, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante) anunciou no início da semana que iria contratar, de forma emergencial, abertura de seis mil novas covas.

Para evitar um novo colapso do sistema de saúde no estado, o Ministério da Saúde prometeu auxiliar o governo local a abrir 178 novos leitos de UTI nos próximos dias. Além disso, enviou 78 respiradores para Manaus.

Segundo o secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo, a previsão é de que as aglomerações causadas pelas festas de fim de ano gerem um novo pico da doença entre os dias 13 e 15 de janeiro.

A situação no estado é tão grave que a Justiça estadual concedeu uma liminar obrigando o governo do Amazonas a decretar a suspensão de todas as atividades não essenciais pelo prazo de 15 dias. Segundo dados da Secretaria de Saúde do Amazonas, o estado já registrou 207.092 casos de Covid-19 e 5.500 mortes.