Avanço da dengue no Rio preocupa autoridades

Com a chegada do verão e das fortes chuvas típicas da estação, autoridades sanitárias renovam o alerta sobre o risco de explosão do número de casos de dengue no Rio. A preocupação mobiliza tanto o secretário municipal de Saúde da capital, Daniel Soranz, quanto o novo titular da pasta de Saúde do Estado do Rio, Dr. Luizinho: os dois abriram a agenda de 2023 discutindo ações para o enfrentamento da circulação do vírus transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti.

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— A dengue é um problema muito grave para a cidade. A gente já teve três grandes epidemias e, agora, tem um novo sorotipo circulando: a dengue tipo 2 — afirma Soranz.

O secretário se reuniu ontem com a nova ministra da Saúde, Nísia Trindade. Entraram em pauta questões prioritárias para o município. No encontro, além do calendário de vacinação contra a Covid-19 na cidade — suspenso ontem por falta de doses —, os dois discutiram ações que evitem uma nova epidemia de dengue.

— Estudos sorológicos da nossa população mostram que a gente não tem uma quantidade grande de pessoas imunes à dengue tipo 2. Isso nos deixa mais suscetíveis a esse tipo de vírus. Por isso é preocupante — alertou.

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Dr. Luizinho, que já havia ocupado o cargo de secretário estadual de Saúde entre 2016 e 2018, voltou ao posto no último dia 2. Ontem, ele se reuniu com representantes da Vigilância Sanitária fluminense. O secretário ressalta que o estado não enfrenta hoje um aumento exponencial no número de casos, mas a fase mais crítica para doenças sazonais como dengue e zika ocorre justamente entre fevereiro e abril. É o momento, portanto, de se antecipar ao que pode acontecer nos próximos meses.

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— A dengue que possivelmente vai circular é a dengue grave, a tipo 2, que chamávamos de dengue hemorrágica. Então nosso nível de atenção vai ter que ser muito maior. Pode ser que precisemos de (atendimento) hospitalar. No passado, dependendo do tipo de dengue, precisávamos só de hidratação. Agora precisamos entender essa circulação e o que vai acontecer — disse Dr. Luizinho.

A cidade do Rio encerrou 2022 com uma alta de 415% no número de casos de dengue em relação a 2021. Em todo o estado, onde ocorreram 16 mortes, o crescimento médio foi de 295% no mesmo período: passou de 2.882 para 11.400.

Daniel Soranz diz que a capital não enfrenta uma epidemia. Segundo ele, a prefeitura contratou no ano passado cerca de 7,5 mil agentes de saúde, que fizeram dez milhões de visitas e destruíram 1,7 milhão de focos do mosquito.

Para Marcos Lago, professor e epidemiologista da UFRJ, é esperado que o Rio registre em 2023 um surto de dengue, já que o pico da doença costuma acontecer em ciclos de três a seis anos.

Em Angra dos Reis, a secretaria de Saúde investiga a morte de um adolescente de 14 anos, no dia 29 de dezembro, que pode ser a primeira vítima da dengue tipo 2 registrada no município. Em nota, a prefeitura da cidade disse que se trata de um caso suspeito, ainda sem exames laboratoriais para confirmação do caso. Se confirmada, seria a primeira — e única — morte por dengue em 2022, já que o óbito foi registrado no dia 30 de dezembro de 2022. Em 2023, segundo a secretaria, não há mortes ou novos casos suspeitos relacionados à doença.

Confira a íntegra da nota:

"No último dia 29, a Secretaria de Saúde foi notificada a respeito de adolescente de 14 anos, que deu entrada na rede de urgência apresentando febre, dor no corpo e manchas vermelhas - sintomas compatíveis com o quadro de dengue.

O menor veio a óbito na sexta-feira, dia 30/12. A Vigilância em Saúde está realizando a investigação do caso. Até o momento, a causa da morte não foi definida e não existem resultados laboratoriais que confirmem o quadro de dengue. O caso segue sendo investigado.

A Secretaria de Saúde ressalta a importância dos cidadãos intensificarem os cuidados em suas residências com o intuito de eliminar os possíveis criadouros do Aedes aegypti, tendo em vista que o período do verão é o mais propício para a proliferação do mosquito."