Avanço da pandemia domina debate entre Covas e Boulos em São Paulo

Gustavo Schmitt
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SÃO PAULO – As políticas de enfrentamento da pandemia por conta do avanço do novo coronavírus pautaram o debate entre os candidatos a prefeito Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL). Diante dos boatos de que a cidade pode ter um lockdown logo após a eleição, Covas chamou tal possibilidade de fake news. Boulos, por sua vez, disse considerar “no mínimo estranho” o fato de o governo de São Paulo ter decidido fazer uma nova atualização sobre os estágios da quarentena para o dia 30, um dia depois da eleição do segundo turno.

Numa tentativa de mostrar que Boulos não tem preparo, Covas defendeu que é necessário “experiência” para enfrentar o pós-pandemia, e disse que há uma estabilidade em relação ao número de casos e ao número de óbitos pela doença. O prefeito alegou que não há necessidade de fechamento de atividades, e que a pandemia está de certa forma controlada na cidade.

— Não há espaço para fake news de que passada a eleição vai ter lockdown na cidade de São Paulo. Não há nenhum numero que aponte necessidade de lockdown — reforçou o tucano.

Boulos criticou a falta de uma ação de testagem em massa pela prefeitura, de modo a isolar as pessoas contaminadas e evitar maiores danos à economia, a exemplo do que ocorreu em países bem-sucedidos no controle da doença, como a Coreia do Sul.

— Uma política de testagem em massa teria sido mais eficaz no controle da doença. Foi o próprio governo do estado que falou que só vai definir as regras do plano sobre as regras de funcionamento da cidade no dia 30 de novembro, um dia depois da eleição — alfinetou Boulos.

O candidato do PSOL também aproveitou o tema da pandemia para criticar a politização da vacina pelo novo coronavírus e procurar colar a imagem de Covas no governador João Doria, do PSDB, seu padrinho político nesta eleição, e que sofre alta rejeição na capital. Covas manteve Doria distante de sua propaganda eleitoral durante o primeiro turno da disputa.

— Eu queria lamentar a transformação do tema da vacina num disputa política entre o presidente Jair Bolsonaro e Doria.

Covas rebateu :

— Não há aqui qualquer partidarização ou politização. Nós seguimos as regras da vigilância sanitária — afirmou o candidato.

Diante de uma diferença de 13% nas intenções de votos na pesquisa Datafolha, Boulos subiu o tom nas acusações contra o adversário. Segundo o instituto Covas tem 48% dos votos totais, contra 35% de Boulos. O candidato do PSOL procurou explorar temas sensíveis, como as investigações que miram o vice de Covas, o vereadores Ricardo Nunes, do MDB, por suspeitas de irregularidades nas creches conveniadas com a prefeitura.

Boulos indagou a Covas se ele colocava a mão no fogo por seu vice e leu uma série de reportagens que citavam irregularidades nos convênios. Em seguida, afirmou que não escondia a sua vice Luiza Erundina, ao contrário do tucano.

— Uma das pessoas que se beneficiam de convênios em aluguel é o seu candidato a vice. Tem gente do grupo dele recebendo aluguel superfaturado para creches conveniadas — disse o psolista.

Covas fez a defesa do vice:

— Em relação ao meu vice, ele não apenas tem nenhum processo como não há nenhum indício de que ele seja envolvido em qualquer caso de corrupção — disse Covas, que associou Boulos, quem tem apoio do PT no segundo turno, a problemas na gestão do ex-prefeito petista Fernando Haddad, derrotado no primeiro turno por Doria quando tentou se reeleger em 2016.

O debate ainda discutiu políticas sobre segurança pública e criação de novas creches na cidade. Tanto Covas quanto Boulos disseram que aumentariam os investimentos nas duas áreas