Avanço da vacinação contra Covid reduz mortalidade em 46% de internados em SP

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SÃO PAULO — A ampliação da vacinação levou a uma redução de 46% da mortalidade de pessoas internadas em hospitais com Covid em São Paulo, segundo o governo do estado. O dado é resultado da análise dos indicadores de fatalidade de março e junho.

— É uma grande notícia. A proporção dos pacientes que morriam depois de internados era de 35% em março, pico da segunda onda da pandemia. (O patamar) caiu para 19% em junho — afirma o governador João Doria (PSDB), em coletiva nesta quarta-feira no Palácio dos Bandeirantes.

A queda acentuada da mortalidade, diz o governador, é fruto do avanço da vacinação em todo o estado. Doria afirmou que 80% das pessoas com esquema vacinal completo, acima dos 70 anos, receberam a CoronaVac — imunizante desenvolvido pela farmacêutica Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan.

Até agora, 62% dos adultos paulistas já receberam, ao menos, uma dose de vacinas contra a Covid-19. Estima-se que amanhã, quinta-feira, o estado chegue à marca de 30 milhões de doses aplicadas. Segundo Doria, o índice representa mais que o total de vacinas aplicadas em países como Argentina e Chile.

De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde, o estado contabiliza queda combinada nos três indicadores da pandemia: casos (-10,7%), internações (-14%) e óbitos (-26,1%). Trata-se da quarta semana em que há redução em todos os patamares de análise.

— Seguramente, as reduções de internações e mortes, mostram o impacto da vacinação — diz Jean Gorinchteyn, secretário da pasta. — E essa redução (da letalidade) será ainda maior à medida que progredirmos a vacinação para mais faxias etárias

Dados oficiais de São Paulo apontam para alta cobertura vacinal entre idosos. A faixa etária de 90 anos ou mais tem 95% de cobertura vacinal completa, com duas aplicações. A de 80 a 89 tem 100%, assim como a de 70 a 79 anos.

João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência da Covid-19, afirmou que a aguardada "volta à normalidade" ainda não está perto. Ela será adquirida de forma gradual, disse, com o avanço do processo de imunização.

Segundo ele, 20% da população do estado corresponde a menores de idade. Do total, 16% têm menos de 12 anos.

Mesmo assim, com a vacinação de todos os adultos e mais os jovens de até 12 anos, ele afirma que o estado entrará em um patamar de maior controle da pandemia.

— Até o final do mês de setembro, teremos já um percentual da população de 84% (de vacinados). Acreditamos que teremos o controle da pandemia e é provável que possamos flexibilizar algumas atividades que ainda não foram possíveis.

Questionada sobre uma possível antecipação da segunda dose da vacina Astrazeneca, medida adotada em outros estados, o governo de São Paulo afirma que ainda não contempla essa possibilidade.

— Nenhuma decisão é tomada sem que conversemos com a Ciência e levantemos dados da OMS e outros países à frente do Brasil em relação às vacinas. Hoje, não temos prorrogação para colocar aqui — afirma Regiane de Paula, coordenadora do Programa Estadual de Imunização (PEI).

Segundo ela, o tema voltará a ser tratado em reunião amanhã (15).

O Instituto Butantan iniciou a entrega de um lote de 10 milhões de doses de CoronaVac. O primeiro milhão será encaminhado entre hoje e amanhã ao Ministério da Saúde, e outras entregas previstas devem ocorrer ao longo das próximas semanas.

Dimas Covas, diretor do Butantan, afirmou que a maior parte das doses contratadas pelo Ministério da Saúde já foram entregues ou estão em solo nacional. A previsão é liberar 100 milhões de doses até agosto. Desse montante, 83% já desembarcaram no Brasil.

— Faltarão somente 17 milhões de doses para envio no mês de agosto. Seguramente, chegará mais matéria-prima até o final deste mês, o que nos permitirá concluir o contrato — afirma Dimas Covas, diretor do Butantan.

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