Aveia: os benefícios do superalimento que não contém glúten

A alimentação saudável e a prática de atividade física, juntamente com um bom descanso, soma-se à lista de bons hábitos para quem deseja seguir um estilo de vida consciente em seu dia a dia e para quem necessita de mudanças por razões de saúde. A lista de opções de alimentos naturais que estão disponíveis para uso em receitas simples e rápidas e os benefícios que esse tipo de ingestão traz para o corpo a médio e longo prazo são imensas.

Desse enorme universo de alternativas culinárias, existe um produto considerado essencial. Trata-se da aveia, um cereal bem completo devido aos seus componentes e propriedades que se caracteriza por não conter glúten.

Silvina Tasat, nutricionista e membro da Sociedade Argentina de Nutrição, explica que sua principal característica é ser um grão integral que mantém suas três partes intactas e também sua composição nutricional.

— O floco é dividido em: endosperma, onde se encontram os carboidratos conhecidos como beta-glucano; germe, onde crescem e se localizam as gorduras poli-insaturadas, óleos, antioxidantes, vitaminas dos grupos E e B e zinco; e farelo, que corresponde ao exterior e contém fibras probióticas — comenta a nutricionista.

Ela explica que a particularidade dessas fibras é que são solúveis, ou seja, que o organismo consegue absorvê-las e digeri-las facilmente.

Diante dessas infinitas qualidades que posicionam a aveia como um superalimento de grande valor nutricional, uma publicação da Universidade de Harvard em sua revista Harvard Health Publishing menciona que os principais benefícios têm a ver com seu impacto no sistema gastrointestinal, pois as fibras regulam o sistema digestivo e dá saciedade.

— Sua função mais importante é estabilizar a saúde do cólon e do intestino porque permite que os carboidratos sejam digeridos lentamente. Por sua vez, seus componentes ajudam a regular a glicose e o colesterol no sangue e, como é um alimento que sacia e tira a sensação de fome, a pessoa não tem necessidade de continuar comendo — explica Tasat.

Como consumir aveia

É possível encontrar o alimento em diferentes formatos e com diversas utilizações: por um lado, a aveia tradicional, que necessita ser cozida, e por outro, a aveia instantânea, que possui grãos maiores que já vêm com um processo de pré-cozimento. Aveia e farelo de aveia são usados em produtos de panificação.

Por sua vez, Tasat recomenda comer uma porção diária entre 20 e 30 gramas da maneira que cada um preferir.

— Pode ser usado em pudins, em panquecas e até mesmo junto com frutas — destaca a profissional.

A aveia vem de uma planta da família das gramíneas e sua história é um tanto desconhecida e incerta. Estima-se que corresponda a uma das culturas mais antigas e que tenha origem na zona da Ásia Central. Na época, foi apelidada de “erva daninha ruim”, pois seu consumo era desaprovado, pois nasceu como uma variante do trigo e da cevada. No entanto, ao longo dos anos, desembarcou na Europa e foi o principal alimento na Irlanda e na Escócia.

Ao incorporar este cereal na dieta, deve-se levar em conta uma série de cuidados. A nutricionista esclarece que, embora seja um alimento isento de glúten, durante o processo de industrialização, pode apresentar risco de contaminação cruzada. Portanto, não é seguro para todos os celíacos ou intolerantes trigo, aveia, cevada e centeio.

—Em alguns países europeus, foi adotada uma modalidade para que todos possam usufruir: há campos certificados apenas para o seu cultivo. Dessa forma, o consumidor fica tranquilo que isso não afetará sua saúde — afirma a nutricionista.

Por outro lado, explica que para além de ser um produto saudável e biológico, deve ser consumido no contexto de uma alimentação saudável e equilibrada, “onde se incorpora a maior quantidade de minerais, vitaminas e nutrientes”. A especialista conclui que degustar um alimento saudável e depois um ultraprocessado não vai gerar benefícios positivos no organismo.