Aversão a Ciro pode unir aliado de Lula a bolsonarista no Ceará em 2022

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SÃO PAULO - O fator Ciro Gomes (PDT) tem pautado as articulações para a eleição do governo do Ceará em 2022 e pode levar até a uma aliança inusitada entre um lulista e um bolsonarista na disputa local. Além disso, o presidenciável pedetista e sua família são motivo de um racha dentro do PT cearense.

Com origens políticas distintas, o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB) e o deputado federal Capitão Wagner (Pros) discutem uma união para enfrentar o grupo de Ciro. Os dois vêm conversando nas últimas semanas.

Uma das hipóteses debatidas é Eunício concorrer ao governo, com apoio do ex-presidente Lula, em chapa que teria Wagner como candidato ao Senado pela sigla oriunda da fusão do DEM com o PSL.

— Faço uma aliança com Wagner, ele vota no Bolsonaro e eu voto no Lula, mistura a chapa — afirma Eunício, que defende a necessidade de união da oposição local para vencer os Gomes, que controlam a máquina do governo estadual e da prefeitura de Fortaleza.

Eunício foi aliado de Ciro e do hoje senador Cid Gomes até 2014. Ele considera que foi traído pelos irmãos, que não o apoiaram para a sucessão de Cid no governo estadual naquele ano e lançaram o petista Camilo Santana, que acabou eleito. Desde então, o ex-senador e o pedetista trocam pesadas acusações públicas e travam batalhas judiciais em ações por calúnia e difamação. Em 2018, o emedebista foi derrotado ao tentar um novo mandato de senador e atribui a sua derrota ao uso da máquina por parte dos Gomes.

Wagner entrou para a política depois de liderar um motim da Polícia Militar cearense contra o governo de Cid em 2011 e 2012. Foi eleito vereador, deputado estadual e deputado federal sempre na oposição ao grupo de Ciro. No ano passado, chegou ao segundo turno da disputa pela prefeitura de Fortaleza com o apoio do presidente Jair Bolsonaro. Questionado sobre seus planos para 2022, o deputado não respondeu. Aliados dizem que ele pretende disputar o governo do estado e apoiar a reeleição de Bolsonaro.

Já o PT tem enfrentado um racha no Ceará por causa das declarações contra Lula e contra o partido que vêm sendo disparadas por Ciro, Cid e até pelo irmão mais novo, o prefeito de Sobral, Ivo Gomes. Mesmo assim, o deputado federal José Guimarães, que controla o diretório petista, quer manter o acordo com o PDT.

A composição prevê um candidato a governador pedetista e Camilo Santana concorrendo ao Senado. São citados como possíveis candidatos a governador Cid, o ex-prefeito Roberto Cláudio, a vice-governadora Izolda Cela e o presidente da Assembleia, Evandro Leitão.

— Para a sucessão do Camilo, o mais importante é que a gente mantenha a aliança com o PT aqui — disse Cid, em entrevista a uma rádio de Sobral, na sexta-feira.

O senador afirma que o acordo depende da “benção” de Lula e que isso foi tratado na visita que o líder petista fez ao estado em agosto.

— Ficou encaminhado.

No PT, o acordo enfrenta oposição de dois dos três deputados federais da bancada.

— Eu e a deputada Luizianne Lins defendemos a candidatura própria. É uma situação esdrúxula (o acordo) porque o palanque seria para o Ciro e não para o Lula — argumenta o deputado José Airton.

O parlamentar falou que levou o tema a Lula, que teria defendido que o cenário nacional é que vai definir a política de aliança local. O deputado entende que o tom dos ataques dos Gomes inviabiliza a aliança.

O grupo de petistas descontentes reconhece que há pouca chance de aprovar no PT cearense o rompimento com Ciro, mas prometem levar o caso à executiva nacional.

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