Aves migratórias são atingidas por óleo em santuário ecológico no Sergipe

MATHEUS MOREIRA
***FOTO DE ARQUIVO*** ARACAJU, SE, 15.10.2019 - Manchas de óleo atingem a praia da Coroa do Meio, em Aracaju, na região nobre da capital sergipana. O estado possui 193 km de litoral, com 17 praias, todas afetadas com o problema que atinge 72 municípios nos nove estados do Nordeste. (Foto: Márcio Garcez/Folhapress)

SÃO PAULO,S P (FOLHAPRESS) - O vazamento de óleo que atinge o litoral do Nordeste há mais de dois meses fez novas vítimas: aves migratórias na Apa-Sul (Área de Proteção Ambiental Litoral Sul), no Sergipe.

Pelo menos 12 de 353 animais recolhidos para ser estudados por pesquisadores da UFBA (Universidade Federal da Bahia) foram afetados.

Os bichos apresentaram vestígios do produto nas patas, o que indica que o contato com o material aconteceu na areia e não em alto-mar, segundo o biólogo e gestor da APA Sul, Paulo César Umbelino.

O contato pode ter acontecido nos bancos de areia do Rio Real, que fica na divisa entre o Sergipe e a Bahia. A região é considerada área de interesse global para conservação pela ONG BirdLife International. 

As aves vêm do hemisfério norte para se alimentar e se reproduzir na região da ilha da Sogra, no município de Estância, que abriga 48% do território da Apa-Sul (cerca de 212 km² de um total de 542 km²). 

Os animais foram recolhidos entre os dias 1º e 3 de novembro, durante excursões noturnas de estudantes de veterinária da UFBA e de servidores da Sedurbs (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade) e da Sehrma (Superintendência Especial de Recursos Hídricos e Meio Ambiente), ambos órgãos estaduais de Sergipe.

A Apa-Sul foi criada em 1993 e abriga cerca de 100 mil aves, das quais 10 mil são migratórias. No local podem ser encontradas aves de três famílias e 35 espécies, incluindo três ameaçadas de extinção, entre elas a migratória Sterna dougallii.

Até o momento, 409 locais em todos os estados do Nordeste foram afetados pelas manchas de óleo. Pelo menos 95 animais foram encontrados mortos em oito estados. 

O óleo também já atingiu o ecossistema de ao menos 14 unidades de conservação, incluindo parques nacionais (como o de Abrolhos), áreas de proteção ambiental (como a Apa-Sul), reservas extrativistas (como a de Canavieiras), reservas biológicas e áreas de interesse ecológico.

O Parque Nacional de Abrolhos, por exemplo, chegou a ser fechado pelo ICMBio no último domingo (3) e tinha previsão de reabrir apenas em 14 de novembro. Entretanto, o órgão comunicou que o parque foi reaberto para visitação na manhã desta sexta (8) porque não foram encontrados mais fragmentos de óleo no local.