Filho de Kadafi concorrerá às eleições presidenciais da Líbia

Túnis, 20 mar (EFE).- Saif al Islam, filho do antigo ditador Muammar Kadafi, anunciou nesta terça-feira, através de seu representante em Túnis, que concorrerá às eleições presidenciais da Libia, previstas para o fim deste ano.

Durante uma coletiva de imprensa, o porta-voz Ayman Boras antecipou que Saif al Islam comparecerá publicamente nos próximos dias para falar ao povo líbio e anunciar um programa eleitoral baseado em uma "política compreensiva, de segurança e com uma visão social".

"Ele não busca o poder, apenas salvar a Líbia. Está aberto a todos aqueles que querem o bem do país, seja de maneira local, regional ou internacional. Saif al Islam é livre e desfruta de todos os seus direitos civis, e o faz atualmente em território líbio", declarou Boras.

O segundo filho do ditador derrubado Muammar Kadafi - e considerado herdeiro não oficial - foi capturado em novembro de 2011, pouco depois do assassinato do pai, e libertado após seis anos de retenção pelas milícias locais de Zintane, no oeste do país, aliadas do general Khalifa Hafter.

No entanto, ainda é alvo de uma ordem de detenção do Tribunal Penal Internacional da Haia, acusado de crimes contra a humanidade cometidos tanto durante o regime do pai como durante a guerra civil.

Saif al Islam, de 44 anos e que estudou na London School of Economics, se tornou a face amigável do regime, um possível sucessor bem conectado ao Reino Unido e à Itália que tentava de sustentar a reconciliação do pai com a comunidade internacional.

Desde que a comunidade internacional contribuiu para a vitória dos rebeldes sobre a longa ditadura de Muammar Kadafi em 2011, a Líbia é um Estado falido, vítima do caos e da guerra civil.

Atualmente há dois governos no país: um sustentado pela ONU, no oeste, e outro tutelado pelo general Hafter, antigo líder da oposição a Kadafi recrutado pela CIA, que controla o leste do país.

O novo plano de ação impulsionado pela ONU visa chegar a um acordo entre Trípoli e Tobruk que permita convocar eleições legislativas e consolidar uma estrutura de poder único, como passos para tentar encerrar o conflito armado líbio. EFE