Aviões, armas e drones dos EUA integram arsenal de guerra afegão do Taliban

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Secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin

Por Idrees Ali e Patricia Zengerle e Jonathan Landay

WASHINGTON (Reuters) - Cerca de um mês atrás, o Ministério da Defesa do Afeganistão publicou em redes sociais fotos de sete helicópteros novos em folha dos Estados Unidos chegando a Cabul.

"Eles continuarão a ver uma batida de tambor constante deste tipo de apoio daqui em diante", disse o secretário de Defesa norte-americano, Lloyd Austin, aos repórteres alguns dias depois no Pentágono.

Mas o Taliban ocupou a maior parte do país em questão de semanas, assim como quaisquer armas e equipamentos abandonados pelas forças afegãs em fuga.

Vídeos mostraram os insurgentes em avanço inspecionando filas longas de veículos e abrindo caixotes de armas de fogo novas, equipamentos de comunicação e até drones militares.

"Tudo que não foi destruído é do Taliban agora", disse uma autoridade dos EUA, pedindo anonimato, à Reuters.

Autoridades norte-americanas atuais e anteriores dizem existir o temor de que estas armas sejam usadas para matar civis, apreendidas por outros grupos militantes, como o Estado Islâmico, para atacar interesses dos EUA na região ou até entregues para adversários como China e Rússia.

O governo do presidente norte-americano, Joe Biden, está tão preocupado com as armas que está cogitando uma série de opções para agir.

As autoridade disseram que lançar ataques aéreos contra os equipamentos maiores, como helicópteros, não está descartado, mas que existe o receio de que isto antagonizaria o Taliban no momento em que o principal objetivo de Washington é retirar pessoas.

Outro funcionário disse que, embora ainda não haja números definitivos, a avaliação de inteligência atual é que se acredita que o Taliban controle mais de dois mil veículos blindados, incluindo Humvees, e até 40 aeronaves, que podem incluir os helicópteros de ataque UH-60 Black Hawks, e drones militares ScanEagle.

"Já vimos combatentes do Taliban com armas fabricadas nos EUA que tomaram de forças afegãs. Isto representa uma ameaça considerável para os Estados Unidos e nossos aliados", disse o deputado Michael McCaul, o republicano mais graduado do Comitê das Relações Exteriores da Câmara, à Reuters em um email.

A velocidade com que o Taliban percorreu o Afeganistão lembra os militantes do Estado Islâmico tomando armas fornecidas pelos EUA a forças iraquianas que ofereceram pouca resistência em 2014.

Entre 2002 e 2017, os EUA deram aos militares afegãos cerca de 28 bilhões de dólares de armamentos, como armas, foguetes, óculos de visão noturna e até pequenos drones para coleta de informações.

(Reportagem adicional de Michael Martina)

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