Aviões e navios de guerra se juntam aos turistas russos na Crimeia

A turista russa Alexandra Rumyantseva pega sol na Crimeia, anexada por Moscou, não muito longe das linhas de frente dos territórios leste e sul da Ucrânia. Sentada em uma pedra nas águas cristalinas do Mar Negro, nos arredores de Sebastopol, a turista observa um avião de combate cruzar um céu azul claro.

"Claro que não posso dizer que estamos totalmente tranquilos", diz à AFP.

O front fica cerca de 300 quilômetros ao norte de Sebastopol, a maior cidade da Crimeia e sede da Frota Russa no Mar Negro. Apesar dos combates nas proximidades, a mulher que trabalha com caridade optou por passar as férias na península com o marido e dois filhos.

A intervenção de Moscou na Ucrânia, as sanções ocidentais, a interrupção dos voos para a Europa e os crescentes problemas econômicos internos tornaram os destinos europeus populares muito caros para os turistas russos.

Mesmo viajar para a Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, é difícil devido ao fechamento do espaço aéreo no sul pelos combates na Ucrânia.

A família de Rumyantseva viajou 2.500 quilômetros de carro e usou uma ponte terrestre construída por Moscou para conectar a península ao continente russo.

Segundo Rumyantseva, há rumores de que a ponte está destruída e "muitos estão preocupados", mas a família decidiu arriscar. No caminho eles viram um comboio militar aparentemente em direção ao front.

- Medo -

Quando a AFP visitou Sebastopol em um dia quente de julho, navios militares russos eram vistos à distância enquanto as pessoas se refrescavam na praia.

Jovens pulavam de pedras, bebiam cerveja e faziam shashliki (carne assada), uma tradição russa de verão. Música patriótica russa tocava no centro da cidade e lojas ofereciam aos turistas lembranças com a letra Z, o símbolo das forças de Moscou que lutam na Ucrânia.

Neste verão havia menos turistas do que o habitual na Crimeia.

"Parece que a maioria aqui é de moradores locais", estima Anna Zaluzhnaya, de 28 anos, que trabalha na indústria alimentícia.

Empresários locais que dependem do turismo, especialmente agora que a península está em grande parte isolada do mundo por sanções, sentem o aperto.

Albert Agagulyan, de 69 anos, dirige uma barraca de kebab em uma praia perto de Sebastopol. O ex-piloto de combate disse que não conseguiu enviar seu filho para um acampamento de verão este ano.

"As pessoas não vêm aqui porque têm medo", acrescentou.

Crimeia faz fronteira com a região ucraniana de Kherson (sul), sob controle de Moscou e está perto da região sudeste de Zaporizhzhia, parcialmente ocupada pelo exército russo. Kiev se comprometeu a retomar os territórios perdidos no sul e alguns acreditam que a Ucrânia poderia atacar a Crimeia.

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