Azerbaijão derruba helicóptero militar russo na Armênia e mata 2

IGOR GIELOW
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em um incidente que pode agravar ainda mais a crise no Cáucaso, o Azerbaijão abateu um helicóptero militar da Rússia dentro do espaço aéreo da Armênia. O Ministério das Relações Exteriores em Baku emitiu um comunicado admitindo o que chamou de incidente e pedindo desculpas a Moscou, dizendo que o disparo de um míssil portátil ocorreu por engano. Dois tripulantes da aeronave de ataque Mi-24 morreram, segundo o Ministério da Defesa informou em comunicado em Moscou. Um terceiro militar está em condições estáveis. Eles fazem parte do contingente de cerca de 3.000 soldados que o Kremlin mantém em uma base perto da cidade armênia de Gyumri. A base tem caças, tanques, blindados e helicópteros, e é um legado do tempo em que a Armênia era parte da União Soviética. Em troca de manter a base no país, Moscou tem uma obrigação por tratado de defender a Armênia em caso de agressão territorial. Desde 27 de setembro, o Azerbaijão está em guerra com Ierevan sobre o território armênio étnico de Nagorno-Karabakh. O número certo de mortos e feridos não é conhecido, mas a Rússia estima mais de 5.000 até aqui. O tratado militar com a Rússia não cobre áreas disputadas fora das fronteiras da Armênia, contudo. Houve alguns incidentes transfronteiriços, com ataques de lado a lado, mas até aqui o grosso dos embates ocorreu na área sob litígio. A derrubada do helicóptero foi feita por um míssil disparado do encrave azeri chamado República Autônoma de Nakhichevan, que fica isolado do resto do país, dentro da Armênia. Imagens em redes sociais mostram a explosão em solo na região de Yeraskh, ocorrida por volta das 18h30 locais (11h30 em Brasília). Não há disputa sobre esse território. O Mi-24 é um dos principais helicópteros de ataque russos, estando em operação em diversos países, inclusive no Brasil — que usa sua variante de exportação, o Mi-35, na Amazônia. Até aqui, o governo de Vladimir Putin tem agido como mediador ponderado, apesar de sua aliança militar com Ierevan. Isso acontece porque ele tem interesse em trazer Baku, que controla ricas províncias petrolíferas e de gás no mar Cáspio, para sua órbita política. Hoje, os azeris são bancados politicamente pelos turcos, e o governo de Recep Tayyip Erdogan foi o grande incentivador do atual conflito. Há, portanto, o risco de um choque maior entre Ancara e Moscou no Cáucaso, reprisando rivalidade que remonta ao tempo em que ambas controlavam impérios que se encontravam naquela região. Além disso, o atual governo armênio está no poder desde 2018, após a derrubada do então líder pró-Kremlin. As relações entre Putin e o atual premiê, Nikol Pashinyan, não são exatamente as mais calorosas. Houve diversas tentativas de trégua mediadas principalmente pela Rússia, apoiada pelo Ocidente, mas até aqui os combates seguem e Baku recuperou parte dos sete distritos que a Armênia ocupou após a guerra que ambos os países travaram em de 1992 a 1994 sobre Nagorno-Karabakh, logo depois do fim do império comunista. No fim de semana, houve relatos de bombardeios pesados sobre Shushi, a segunda maior cidade de Nagorno-Karabakh.