Azerbaijão retoma controle do 1o território cedido por armênios em Nagorno Karabakh

Emil GOULIEV, con Andrey BORODULIN en Nagorno Karabaj
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Soldados armênios retiram objetos de seu quartel do distrito de Aghdam, em 19 de novembro de 2020, no Azerbaijão
Soldados armênios retiram objetos de seu quartel do distrito de Aghdam, em 19 de novembro de 2020, no Azerbaijão

O Exército do Azerbaijão retomou, nesta sexta-feira (20), o controle do distrito de Aghdam, cedido pelos separatistas armênios de Nagorno Karabakh, como prevê o acordo de cessar-fogo que pôs fim a seis semanas de guerra.

Trata-se da primeira das três devoluções ao Azerbaijão de territórios que as forças armênias controlaram por quase 30 anos, após uma primeira guerra que, à época, deixou 30.000 mortos e centenas de milhares de deslocados, incluindo a população azerbaijana de Aghdam.

"Parabéns a todos os cidadãos de Aghdam. Eles não são mais refugiados, eles retornarão para suas terras ancestrais", disse o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, em declarações transmitidas pela televisão depois que o Exército entrou no distrito.

"Libertamos a região do fascismo armênio", proclamou, retomando a retórica incendiária que costuma usar.

Em Baku, a retrocessão foi recebida com cenas de alegria, e muitos moradores agitaram a bandeira do Azerbaijão nas ruas.

Assinado em 9 de novembro e negociado pelo presidente russo, Vladimir Putin, o acordo de trégua confirma a derrota armênia após seis semanas de combates que provavelmente deixaram milhares de mortos, mas permite a sobrevivência da autoproclamada república de Nagorno Karabakh, mesmo que perca muitos territórios.

Além dos territórios conquistados dentro da própria região de Nagorno Karabakh, como Shusha (segunda cidade da província), o Azerbaijão recupera os sete distritos azerbaijanos que eram uma espécie de barreira de segurança para os separatistas.

Depois de Aghdam, será a vez de Kalbakhar, em 25 de novembro, e de Lachin, em 1º de dezembro.

O ministro russo da Defesa, o general Sergey Shoygu, anunciou nesta sexta-feira ter finalizado o envio de 1.960 soldados para manter a paz na região e garantir o respeito ao cessar-fogo.

Ao mesmo tempo, cerca de 2.000 soldados das forças de paz russas estão sendo destacados na área para garantir o cumprimento do acordo pelas partes no conflito.

- Casas incendiadas -

Em Aghdam, os armênios locais não esperaram a chegada das forças de Baku para fugir. Muitos preferiram atear fogo em suas casas antes de irem embora, para que nenhum azerbaijano pudesse morar nelas, observaram jornalistas da AFP.

Enquanto colocavam seus pertences em seus veículos, os últimos habitantes partiram menos de uma hora antes da chegada do Exército azerbaijano.

Um controle de estrada armênio e um posto de controle do Exército russo também foram estabelecidos na estrada, agora deserta, entre Nagorno Karabakh e Aghdam.

Na quinta-feira, soldados armênios já haviam destruído seu quartel-general em Aghdam, uma cidade fantasma em ruínas por quase 30 anos, onde os separatistas tinham uma base de retaguarda.

Na aldeia de Nor Maragha, dentro deste distrito, os habitantes abatiam rebanhos, recolhiam vegetais e frutas e colocavam todos os seus pertences em seus veículos e reboques com a amarga sensação de deixar suas fazendas e pomares para o odiado inimigo.

Ao fim da guerra dos anos 1990, o êxodo foi no sentido inverso: a população azerbaijana fugiu e a Armênia pediu a seus cidadãos que povoassem a região.

- O papel da Turquia -

O acordo que encerrou os combates é uma derrota humilhante para a Armênia. A oposição acusa o primeiro-ministro Nikol Pashinyan de ser um "traidor" e pede em vão sua renúncia.

Embora tenha descartado a renúncia, substituiu dois ministros de seu gabinete nesta sexta, incluindo o da Defesa, poucos dias após a demissão do chefe da diplomacia.

Nesta sexta-feira, dezenas de manifestantes bloquearam as ruas do centro de Erevan e de Gyumri, aos gritos de "Nikol, vá embora!". O grupo foi dispersado pela polícia, que disse ter detido 85 pessoas.

No Azerbaijão, o presidente Aliyev compareceu triunfante a regiões em disputa recuperadas após a guerra.

A comunidade internacional comemorou o cessar-fogo, mas certas "ambiguidades" persistem em relação a como foi colocado em prática. A França pediu a Moscou que esclareça, por exemplo, qual foi o papel no conflito da Turquia, principal apoiador do Azerbaijão e inimigo da Armênia.

A Turquia não é mencionada no acordo que pôs fim aos combates, mas as autoridades turcas anunciaram rapidamente que irão supervisionar o cessar-fogo em conjunto com a Rússia.

A Unesco propôs nesta sexta-feira enviar uma missão de especialistas a Nagorno Karabakh para realizar um inventário dos bens culturais da região.

bur-alf/cn/bl-pc/eg/tt/am