Bárbara Coelho fala da cobertura da Copa, da discrição do marido e de ataques após denunciar golpe

Em 2010, Bárbara Coelho vendeu seu carro e embarcou para a África do Sul, para uma cobertura independente da Copa do Mundo daquele ano. Passou 30 dias viajando com amigos. Escreveu um blog e fez entradas numa rádio local. Foi a partir dessa experiência que ela começou a acreditar que o jornalismo esportivo poderia fazer parte de sua vida definitivamente. Então, mudou-se do Espírito Santo para o Rio, foi de porta em porta entregar currículo e acabou conquistando espaços. Hoje, 12 anos depois, ela voltará a marcar presença no maior evento de futebol do planeta, mas agora com uma carreira consolidada na Globo. Apresentadora do "Esporte espetacular", aparecerá também no "Troca de passes", do SporTV, no período do Mundial.

— Vivo a minha melhor fase. Estou aberta a todos as oportunidades, mas a gente está sempre buscando mais e esquece de saborear o que já tem. É o que quero fazer — diz ela, mas sem perder de vista o futuro: — Vêm aí a Copa do Mundo feminina, na Austrália (em 2023), as Olimpíadas de Paris em 2024... Quero fazer parte dessas histórias. Isso é o que me move.

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Bárbara explica como será a dinâmica dos dois programas durante a competição.

— O "Esporte espetacular" vai ser feito da mesma maneira, ao vivo. Depende muito da grade de jogos. Alguns programas vão ser menores. E o "Troca" será o primeiro programa pós-jogos. Ele vai abrir o debate do canal. Vamos fazer quadros específicos e analisar o desempenho tático dos jogadores. Também teremos entradas ao vivo do Catar — explica ela, que diz entender o fato de não ter sido convocada para viajar e cobrir in loco: — Estamos trabalhando hoje com uma realidade diferente. A empresa entende que nossa participação é tão relevante quanto a dos que vão viajar. Antigamente os estúdios eram feitos nos locais. Mas estamos falando de uma Copa que sofre muito com a alta do dólar. E, neste momento em que sou apresentadora do "EE", não fazia sentido viajar. Claro que a cobertura lá é outra. Mas entendo a importância de ficar e abraçar o projeto da mesma maneira.

Ela destaca o aumento da quantidade de profissionais mulheres na cobertura:

— A gente era muito minoria. Hoje ainda estamos em menor número, mas ele aumentou. Quando você é uma pequena minoria, não tem voz, consegue dialogar muito pouco, só cumpre ordens. Hoje, não. Temos mais facilidade de entregar aquilo em que acreditamos. A nossa expectativa é que, na próxima cobertura, estejamos pelo menos em número igual.

Conforme aumenta a visibilidade de Bárbara, mais ela vê o interesse do público por sua vida privada crescer. Não são raros registros feitos por paparazzi circulando na internet. Frequentemente, ela é clicada na praia com o marido, o empresário Felipe Russo:

— No início, eu ficava com muita vergonha. Hoje aceitei. Minha vida com meu marido é extremamente discreta nas redes sociais. Ele não tem rede social, não gosta. Então, tem muito pouco (conteúdo), para não dizer nada. Não dá para fugir dos paparazzi, faz parte. É uma consequência do reconhecimento, é do jogo. As pessoas querem saber o que faço fora da TV.

Bárbara sua essa exposição para influenciar positivamente as pessoas e fazer alertas quando necessários, principalmente para outras mulheres. Foi o que aconteceu quando denunciou recentemente um motorista de aplicativo que usou um gás para tentar dopá-la. Ela revela o que aconteceu depois de tornar o caso público:

— Eu não acredito que aquele comportamento seja da maioria. Muita gente trabalha sério. Por isso, eu logo peguei um carro de novo. Há uma investigação interna agora. Eu tomei todos os cuidados possíveis para preservar a imagem de todos. Não cabe a mim fazer justiça publicamente. Fui muito atacada depois desse episódio. Pessoas acharam que eu queria prejudicar algum profissional, mas não expus nomes. Expus a situação para proteger outras mulheres, para que elas buscassem os trâmites legais. Tenho um papel como pessoa pública. Acho que tenho essa capacidade de influenciar pessoas, e elas chancelam minha opinião. Mas está tudo bem, já passou.