Protestos por mais rigor na venda de armas nos EUA reúnem 1 milhão de pessoas

Alex Segura Lozano.

Washington, 24 mar (EFE).- Cerca de 1 milhão de pessoas, a maior parte deles estudantes, foram às ruas de 800 cidades dos Estados Unidos para exigir um maior controle na comercialização de armas no país, evitando assim tragédias como a ocorrida em Parkland, na Flórida, onde 17 pessoas morreram após um jovem, de 19 anos, invadir uma escola de ensino médio e abrir fogo com um fuzil de assalto.

"Hoje é o começo de um novo e brilhante futuro para o nosso país. Viemos para as ruas para exigir leis de controle de armas e bom senso. Nós somos a mudança", disse Cameron Kasky, uma das sobreviventes do ataque, diante de uma multidão em Washington.

Cameron, de 17 anos, organizou com vários colegas da escola Marjory Stoneman Douglas o #MarchForOurLives (Marcha pelas Nossas Vidas), que reuniu mais de 500 mil pessoas na Avenida Pensilvânia, que liga a Casa Branca ao Capitólio, segundo a imprensa local.

O debate nacional sobre a facilidade de comprar armas nos EUA voltou à tona no último dia 14 de fevereiro, quando Nikolas Cruz, um ex-estudante da Marjory Stoneman Douglas, invadiu a escola com um fuzil AR-15 e matou 14 alunos e três estudantes.

"Dá medo ir à escola, sendo que isso está ocorrendo agora, é muito triste. Queremos uma solução em breve", disse Dayana Batres, estudante de 14 anos da Albert Einstein em North Kensington, em Maryland, que foi ao protesto com a mãe e suas duas irmãs.

Há um mês, Dayana levou um susto. Uma ameaça de bomba foi registrada na escola. Ela teve que permanecer sentada por três horas, sem poder entrar em contato com os pais.

"Foi um calvário, recebi o alerta do colégio e sabia que minhas filhas estavam lá dentro, mas não podia fazer nada", disse Myrna, mãe de Dyana, que revela rezar todos os dias para que nada de ruim ocorra com as filhas dentro da escola.

A ameaça fez a família ver que a facilidade de comprar armas no país é um problema que pode afetar qualquer pessoa.

Para Forrest Christoffers, estudante da Universidade Estatal da Flórida, o ataque no estado "lamentavelmente" não surpreendeu.

"Na Flórida, sofremos com o tiroteio na boate Pulse. Há alguns meses houve o de Las Vegas e depois o de Parkland. Essas coisas já se tornaram tão comuns que não surpreende tanto. Acho que podem ocorrer facilmente outra vez", disse Christoffers, que há dois anos teve que ficar trancado dentro da biblioteca de sua universidade porque havia um "atirador ativo" no campus.

Para solucionar a crise, o presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu aumentar a idade legal para o porte de armas, de 18 para 21 anos, armar professores e proibir a venda dos conhecidos "kit rajadas", que ampliam a velocidade dos disparos.

Até então, o Departamento de Justiça só publicou a lei para proibir a venda desse tipo de dispositivo, mas as outras propostas ficaram no discurso, especialmente pela polêmica que provocaram.

"Armar os professores não funcionará... Isso nos faz sentir como criminosos, quando deveríamos ser apoiados e empoderados nas nossas escolas", afirmou Edna Chavez, de 17 anos, aluna de uma escola de Los Angeles, diante da multidão em Washington.

A manifestação de Washington, a principal convocada pelo movimento #MarchForOurLives", reuniu várias celebridades, como a cantora Miley Cyrus. Outras 800 cidades nos EUA e no mundo também fizeram protestos para exigir mais controle na venda de armas.

Cerca de 20 mil pessoas, segundo a imprensa local, se reuniram no parque Pine Trail, a cerca de 3 quilômetros da Marjory Stone Douglas, palco da tragédia de Parkland.

Em Nova York, mais de 100 mil pessoas foram para as ruas do lado oeste do Central Park, entre elas o prefeito da cidade, Bill De Blasio. "O que estamos vendo agora é uma revolução pacífica para que haja uma mudança neste país", disse o prefeito.

Neste ano, 33 incidentes com armas foram registrados em escolas do país, incluindo casos sem feridos, de acordo com dados da organização Everytown for Gun Safety. EFE