Bélgica condena ruandês a 25 anos de prisão por genocídio

Por Clément ZAMPA
Fabien Neretsé (D), um ex- funcionário do governo de Ruanda, foi condenado nesta sexta-feira por um tribunal criminal em Bruxelas a 25 anos de prisão por "crime de genocídio"

Fabien Neretsé, um ex- funcionário do governo de Ruanda, foi sentenciado nesta sexta-feira por um tribunal em Bruxelas a 25 anos de prisão por "crime de genocídio", a primeira sentença desse tipo na Bélgica.

O acusado, um hutu de 71 anos, "se beneficia de circunstâncias atenuantes por causa de sua idade", destacou a presidente do tribunal, Sophie Leclercq.

Com suas ações, ele causou "danos irreparáveis a toda a humanidade" e mostrou-se "sem piedade" durante todo o processo, no qual ele "não questionou" seus atos, considerou Leclercq.

Neretsé, que sempre disse que é inocente, é o primeiro ruandês condenado na Bélgica por genocídio. Este veredicto foi descrito como "histórico" por defensores dos direitos civis.

Também foi declarado culpado de nove "crimes de guerra" cometidos em Ruanda entre abril e julho de 1994.

A acusação de "crime de genocídio" não foi aplicada nos quatro primeiros processos na Bélgica ligados aos assassinatos em série em sua antiga colônia analisados pelo tribunal em 2001, 2005, 2007 e 2009.

Na ação deferida nesta sexta a condenação por genocídio se baseia no fato dos assassinatos terem sido cometidos contra um número indeterminado de pessoas em nome do desejo de "destruir" o grupo étnico tutsi, o que foi confirmado por várias testemunhas durante o julgamento, segundo a acusação.

Neretsé tambén foi condenado por nove "crimes de guerra" cometidos em Kigali em abril de 1994 e outros realizados semanas mais tarde em áreas rurais distantes da capital.

Os crimes ocorreram três dias após o assassinato do presidente hutu Habyarimana, que deu início ao genocídio que custou a vida, segundo a ONU, de pelo menos 800 mil pessoas, a maioria tutsis.