Bélgica devolverá à RDC 'relíquia' do herói da independência Lumumba

·2 minuto de leitura
Patrice Lumumba durante sua prisão em Léopoldville, em dezembro de 1960

A Bélgica restituirá à República Democrática do Congo em 21 de junho uma "relíquia" do herói da luta pela independência Patrice Lumumba, em uma cerimônia formal em Bruxelas que será conduzida por líderes dos dois países, informaram nesta terça-feira (8) fontes oficiais.

O presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, é esperado para a ocasião na capital belga à frente de uma delegação congolesa, segundo as mesmas fontes.

Na sexta-feira, o governo congolês informou sobre o plano de viagem do presidente para "a cerimônia de recuperação das relíquias" daquele que foi o efêmero primeiro-ministro do Congo independente (junho-setembro de 1960), antes de ser assassinado em janeiro de 1961 aos 35 anos.

No final do período colonial belga no Congo, Lumumba formou o primeiro governo independente, mas imediatamente o país foi ameaçado por um movimento separatista na região de Katanga, apoiado pela Bélgica.

Lumumba morreu pelas mãos de rebeldes da região de Katanga e de mercenários belgas.

Segundo as investigações, o corpo de Lumumba foi dissolvido em ácido, mas no ano passado foi anunciado que parentes de um policial belga que participou da operação guardaram um dente do líder da independência, que agora será devolvido.

Este dente, que tem valor de "relíquia" para os congoleses, foi apreendido na casa da filha do policial belga que ajudou no desaparecimento do corpo.

A cerimônia de 21 de junho acontecerá em duas etapas, segundo informaram à AFP em abril dois dos filhos de Patrice Lumumba, François e Roland.

O dente será primeiro devolvido aos familiares "em ambiente restrito e familiar", antes de uma cerimônia que envolverá os dirigentes dos dois países "dada a dimensão emblemática do momento".

O primeiro-ministro belga, Alexander De Croo, falará em nome do Estado belga.

Ausente nesta cerimônia, o rei Filipe receberá Tshisekedi no Palácio Real no mesmo dia.

O Palácio informou nesta terça-feira que a viagem, inicialmente planejada para 30 de junho de 2021 (aniversário da independência), "teve que ser adiada devido a condições de saúde na RDC e na Bélgica".

O rei Filipe pode ir a Kinshasa no início de 2022, para sua primeira viagem à ex-colônia.

Na semana passada, o escritório local da Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para um aumento "exponencial" nos casos de coronavírus em Kinshasa.

Na RDC, as autoridades revelaram que planejam uma cerimônia nacional de homenagem a Patrice Lumumba em 30 de junho.

No entanto, antes de iniciar a viagem de volta para casa, os restos mortais serão brevemente expostos em Bruxelas à diáspora congolesa.

mad/ahg/mb/mr