Bélgica: greve nacional paralisa principal aeroporto de Bruxelas

Com todas as partidas canceladas e chegadas interrompidas, o principal aeroporto da Bélgica acusou o impacto da greve nacional convocada para esta segunda-feira.

O pessoal de segurança (da empresa G4S) e de assistência às bagagens do aeroporto Bruxelas-Zaventem juntou-se ao movimento de protesto comum a vários setores, que tem como mote: "a vida está cara, são precisos melhores salários."

O aeroporto decidiu cancelar todos os voos na véspera da jornada de greve, convocada pelos sindicatos FGTB, CSC e CGSLB, deixando vários passageiros, que não tiveram acesso à informação de forma atempada, à beira de um ataque de nervos e à procura de soluções alternativas.

"No domingo à noite disseram-nos que os voos tinham sido todos cancelados. Hoje viemos até aqui para tentar resolver o problema. Para, de alguma forma, encontrar uma solução para voltar para casa, mas até agora não temos solução. Aqui não nos podem ajudar. Vamos tentar, talvez, chegar a outro país para apanhar outro voo", disse, em entrevista à Euronews, Francisca Mendes, passageira.

Jorge Silva, outro passageiro que se preparava para viajar esta segunda-feira, acrescentou: "não nos deram alternativas. Viemos cá hoje e recebemos apenas alguns papéis com contactos. (...) Pelo que ouvi, só há uma solução mais para o final da semana."

Mas as coisas deverão piorar em breve, com greves de pilotos e pessoal de bordo das companhias aéreas Brussels Airlines e Ryanair previstas, durante vários dias, a partir de quinta-feira, fazendo antever um verão quente para o setor.

Queixam-se da carga laboral e dos salários que não acompanham a perda de poder de compra.

São as mesmas reivindicações que levaram o pessoal da segurança do aeroporto de Zaventem a sair às ruas de Bruxelas, como explicou Jo Vonrutten, delegado do sindicato socialista ABVV FGTB: "juntámo-nos à greve porque há muito stress no aeroporto. Estamos a trabalhar com falta de pessoal. Precisamos de pessoas qualificadas. Também queremos melhores salários pelos fins de semana que trabalhamos."

Da parte do aeroporto ouvem-se garantias de que se está a trabalhar para preencher postos de trabalho, para fazer face aos obstáculos.

Os problemas são transversais a vários setores, que estiveram representados em peso na greve nacional de hoje.

Os sindicatos falam em mais de 80 mil participantes e a polícia em 70 mil, com exigências comuns: a revisão de uma polémica lei, conhecida como "lei 96", que enquadra a evolução dos salários do setor privado na Bélgica, e a proteção contra o aumento desenfreado do custo de vida.

A paralisação também teve um forte impacto sobre os transportes públicos e o serviço de recolha de lixo.

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