Fifa encerra investigação interna iniciada em 2015 sobre casos de corrupção

Madri, 31 mar (EFE).- A Fifa anunciou nesta sexta-feira que finalizou a investigação que iniciou em junho de 2015 depois das detenções de alguns de seus diretores e colaboradores realizadas pelas autoridades suíças, em parceria com a Justiça dos Estados Unidas, por possíveis atos delitivos, pagamentos de propina e corrupção.

Em comunicado, a Fifa indicou que durante os 22 meses transcorridos desde o início das investigações foram analisados mais de 2,5 milhões de documentos e várias testemunhas-chave foram ouvidas, o que permitiu elaborar um relatório de 1.300 páginas e mais de 20 mil páginas de provas documentais, que estão a disposição das autoridades suíças

Os dados que já estão em poder da Procuradoria Geral da Suíça, que reconheceu a "estreita e contínua colaboração da Fifa", serão transferidos também ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, país onde muitos dos envolvidos no caso estão à espera de julgamento, provavelmente no segundo semestre deste ano.

"A Fifa se comprometeu a realizar uma investigação global e profunda dos fatos a fim de poder atribuir responsabilidades aos que cometeram atos criminosos dentro do entorno futebolístico e colaborar com as autoridades", afirmou o presidente da entidade, Gianni Infantino.

O dirigente suíço, que chegou à presidência no final de fevereiro de 2016, depois da explosão do escândalo de corrupção, garantiu que "as autoridades continuarão perseguindo os que lucraram e se aproveitaram da confiança depositada em seus cargos dentro do futebol".

"A Fifa voltará a concentrar toda sua atenção no futebol, pela torcida e pelos jogadores de todo o mundo", declarou Infantino, que sucedeu no cargo o suíço Joseph Blatter, meses depois que este renunciou como presidente.

Após sua renúncia à presidência, que ocupava desde 1998 e para a qual havia sido reeleito no final de maio de 2015, Blatter foi inabilitado pela própria Comissão de Ética da Fifa, o que também aconteceu com o então presidente da Uefa e grande favorito para sucedê-lo, o francês Michel Platini.

A sanção contra ambos, que a Corte Arbitral do Esporte (CAS, sigla em inglês) deixou em seis anos para Blatter e em quatro para Platini, foi consequência de um pagamento que o primeiro fez ao segundo em 2011 por trabalhos de assessoria em 1999 e que viola o Código de Ética da organização.

Esta punição impediu que Platini se apresentasse às eleições à presidência da Fifa, que a entidade teve que realizar em fevereiro de 2016 e nas quais foi eleito o suíço Gianni Infantino, até então secretário-geral da Uefa.

Também nesta sexta-feira, a Fifa explicou que, "já que as investigações penais empreendidas pela Procuradoria Suíça e pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos ainda estão abertas, não pode publicar ou comentar as conclusões de sua investigação interna por motivos legais".

"A informação obtida foi utilizada para realizar mudanças específicas nas funções de governança, compliance e finanças da instituição", acrescentou em seu comunicado a Fifa, que no final de abril publicará um relatório detalhado sobre essas mudanças. EFE