Búfala morre em hospital de campanha de Brotas e outra sofre reabsorção do feto devido a estresse, fome e dor

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SÃO PAULO — Uma ativista voluntária que auxilia nos cuidados de centenas de búfalos abandonados em uma fazenda de leite na cidade de Brotas, interior de São Paulo, informou que uma fêmea veio a óbito e outra sofreu reabsorção do feto nesta quinta-feira, devido ao estresse, fome e dor que enfrentaram nos últimos dias. Ambas estavam internadas no hospital de campanha montado pela ONG Amor e Respeito Animal (ARA), que trata dos casos mais graves. Ao menos outras 22 búfalas já morreram no local.

Ao GLOBO, a ativista Larissa Maluf relatou que a fêmea que faleceu nesta manhã estava sob cuidados veterinários desde o dia 13 deste mês. As causas da morte foram anemia severa e comprometimento dos rins e fígado, devido ao tempo prolongado sem água e sem comida.

O abandono, ao que tudo indica proposital, de ao menos 1.056 búfalos no sítio de Água Sumida, tem sido tratado por advogados e ativistas como um dos maiores casos de maus-tratos aos animais já registrados na história do país. Segundo veteriários, a maioria é fêmeas e cerca de 90% delas estão prenhes, correndo risco de aborto devido às pessímas condições de saúde. No terreno, também há animais em decomposição e muitos dos que estão vivos estão com as costelas à mostra, em avançado estado de inanição.

Desde o início dos cuidados com os búfalos, o Grupo de Resgate de Animais em Desastres (Grad) usa as redes sociais para fazer atualizações e divulgar campanhas de arrecadação de dinheiro para garantir a manutenção dos voluntários no local e as demandas dos animais.

Na quarta-feira, os voluntários publicaram no perfil exclusivo para divulgação do caso um vídeo emocionante de alguns animais que, após dias sob cuidados médicos, conseguiram se levantar e caminhar. Na gravação, uma búfala aparece em pé, observando o pôr do sol. Após ser acarinhada, a fêmea dá "lambeijos" na mão de uma das ativistas. Um outra fêmea consegue ficar em pé por poucos segundos e é aplaudida pela conquista.

A Polícia Civil investiga o caso desde o dia 6 de novembro, mas segundo o delegado Douglas Brandão Amaral, as provas indicam que o proprietário e administrador da fazenda, Luiz Augusto Pinheiro de Souza, teria deixado propositalmente os animais definharem no local. A previsão é que o inquérito seja finalizado na próxima terça-feira e encaminhado ao Ministério Público.

No início das investigações, o fazendeiro foi multado em R$ 2,13 milhões por maus-tratos a 677 búfalas-asiáticas e 22 animais mortos. No entanto, em nova decisão, o delegado entendeu que todos os 1.056 búfalos estavam em situação de abandono e autuou novamente Luiz Augusto em mais de R$ 1,4 milhão.

Ainda de acordo com o delegado, este sábado será realizada uma nova perícia por profissionais da Universidade de São Paulo (USP), a fim de detectar a causa da morte dos búfalos. Ao fim do inquérito, nada impede que o proprietário tenha a prisão decretada novamente.

— Além da pena que será estipulada pelo juiz, queremos que o autor dos maus-tratos perca a posse dos animais. Em paralelo, uma alternativa seria definir um pacto de conduta onde ele, ao invés de pagar multa, se desapropria de parte da fazenda para que os búfalos sejam cuidados por ONGs, e pague integralmente o tratamento dos animais. Por fim, nada impede que eu peça a prisão dele no final da investigação — aponta.

Luiz Algusto chegou a ser preso em 11 de novembro, mas foi liberado em seguida após pagar fiança de R$ 10 mil.

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