Búlgaros votam em legislativas para sair do impasse

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Em uma assembleia de voto durante as eleições legislativas, em Sofia, em 11 de julho de 2021

Os búlgaros começaram a votar neste domingo (11) - pela segunda vez em três meses -, com a esperança de que essas eleições legislativas finalmente levem à formação de uma coalizão após uma década no poder do conservador Boyko Borissov.

O ex-primeiro-ministro, que ficou em primeiro lugar nas eleições anteriores com 26% dos votos, mas enfraquecido pelos protestos massivos do ano passado, não conseguiu encontrar um parceiro para governar.

Desde então, o líder de 62 anos perdeu terreno, face à enxurrada quase diária de revelações sobre a corrupção que assola este país, o mais pobre da União Europeia.

"Que caos eles semearam!", denunciou Borisov ao votar ao meio-dia, de camisa amarela e calça jeans, considerando-se alvo e ameaçado pelas investigações.

De acordo com as últimas pesquisas, seu partido Gerb está tecnicamente empatado com a formação antissistema do apresentador de TV e cantor Slavi Trifonov, de 54 anos, que surpreendeu ao chegar em segundo lugar em abril (17,6%). Ambos são agora creditados com 20-21% dos votos.

E mesmo que Gerb fique em primeiro lugar, "ele não governará", aponta o cientista político Strahil Deliyski, enquanto é agora um contraponto para o resto da classe política.

Victoria Nikolova, de 34 anos, foi votar com o marido e duas filhas, na esperança "de mudanças na saúde, na educação, para que a corrupção diminua".

O seu desejo, neste país despovoado: "que os nossos filhos não emigrem quando forem velhos".

- "Novos rostos" -

O partido de Trifonov (ITP) recusa qualquer cooperação com partidos tradicionais com reputações manchadas, incluindo os socialistas e o partido da minoria turca (MDL).

Por outro lado, disse que estava pronto para negociar com os representantes daqueles que foram às ruas no verão de 2020: Bulgária Democrática (direita), que poderia reunir 12% dos votos, e Levante-se! Máfia Fora (esquerda, cerca de 5%).

"É hora de terminar o que começamos e mudar completamente o modelo de governança", disse Slavi Trifonov no Facebook, que quer, em caso de vitória, apelar "aos jovens, novos rostos".

Com a cabeça raspada e óculos escuros, "Slavi", como os búlgaros o chamam, liderou uma campanha muito discreta e a priori não buscará o posto de primeiro-ministro.

No entanto, as três forças combinadas obteriam apenas entre 100 e 110 assentos dos 240 no Parlamento, de acordo com os institutos de pesquisa, o que sugere uma paisagem fragmentada.

Os analistas alertam, porém, para "o cansaço da opinião pública" em caso de novas eleições, nas palavras de Boriana Dimitrova, diretora do instituto Alpha Research.

"Os partidos percebem isso e farão um esforço para formar um governo", disse ela à bTV neste domingo, quando o fundador da Bulgária Democrática, Hristo Ivanov, pedia para "virar uma nova página".

Para estas eleições, urnas eletrônicas foram instaladas na maioria dos locais para limitar as fraudes.

O gabinete interino também atacou uma prática antiga, a compra de votos pelos partidos políticos, que atinge entre 5% e 19% dos votos, segundo a ONG Anticorruption Fund.

Mais de 900 pessoas foram presas nas últimas semanas por compra de voto, especialmente em áreas desfavorecidas.

Foram oferecidos "lenha, pacotes de farinha e lentilhas, ou ainda somas de dinheiro - entre 20 e 50 levas (10 a 25 euros)", segundo o ministro do Interior.

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