B3 estuda tirar Americanas de Índice de Sustentabilidade Empresarial

A B3 estuda a possibilidade de retirar a Americanas do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) após a crise motivada por inconsistências contábeis de, pelo menos, R$ 20 bilhões. Esse processo deve demorar em torno de 15 dias para ser concluído.

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Primeiro, a empresa será notificada e deverá responder a uma série de perguntas em um prazo definido. Depois, o comitê da Bolsa realiza uma análise, ainda que nem todas as respostas não tenham sido enviadas.

Se a Americanas entrar efetivamente em recuperação judicial, porém, ela é então retirada de todos os índices da B3, permanecendo apenas no Novo Mercado, do qual não é possível eliminar nenhuma companhia.

Responsabilidade e fiscalização

O escândalo envolvendo a varejista abriu um debate sobre a efetividade dos índices de sustentabilidade. Para Fabio Alperowitch, sócio fundador da Fama Investimentos, as empresas entram nos índices por critérios mínimos, que podem ser burlados.

Outra questão é a falha fiscalização em companhias de capital aberto e a atuação de auditores externos. Jorge Krening, sócio-diretor do Instituto de Educação Russell Bedford, diz que uma regulação sobre responsabilidade do auditor em relação a fraude (NBC TA 240) estabelece que, embora o auditor seja responsável por garantir que demonstrações contábeis não contêm distorções relevantes causadas por fraude ou erro, há limitações e risco inevitável de que algumas não sejam detectadas.

— Caso o auditor levante um indício, deve comunicar à alta administração, que pode solicitar um trabalho de auditoria especial para apuração da suposta fraude. Ele não pode, no entanto, estabelecer juridicamente se realmente ocorreu fraude. O papel de informar ao mercado é da administração — explica.

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Danielle Lopes, sócia e analista de ações da Nord Research, corrobora que algumas inconsistências são difíceis de ser detectadas. A auditoria externa, alheia ao operacional do dia a dia, não olha, por exemplo, nota por nota financeira. Ao invés disso, usa critérios de materialidade e faz revisões fundamentadas em declarações de executivos.

— Sem experiência no setor, fica difícil verificar o problema. Se uma varejista está crescendo, possivelmente irá aumentar linha de fornecedores. Então, isso não leva o auditor a bater a informação com a linha de endividamento. Talvez isso seja mais próximo ao trabalho da análise, de quem cobre o dia a dia da empresa — opina.

Para Flávio Conde, analista da Levante Investimentos, há responsabilidade de uma série de agentes: dos administradores, por falta de transparência; dos auditores e analistas de crédito, que deveriam ter sido rígidos o suficiente na análise das contas; além do próprio mercado.

— Também são culpados os analistas de investimento, que focam apenas em EBITDA e pouco em fluxo de caixa e análise de dívidas — critica. — As auditorias externas deveriam ainda ser mais duras e extensas, mas a maioria tem receio de perder o cliente.