Babaioff traz a premiada peça 'Tom na Fazenda' para o Festival de Avignon

O espetáculo “Tom na Fazenda” (no original em francês “Tom à la ferme”, do autor canadense Michel Marc Bouchard) fez carreira no Brasil há cerca de quatro anos, arrebatando uma série de prêmios como o Shell e o Cesgranrio de melhor ator e melhor diretor respectivamente para Armando Babaioff e Rodrigo Portella. Mas foi o prêmio da crítica em Québec, no Canadá, que escancarou a porta para o Festival de Avignon, o maior encontro de artes cênicas do mundo.

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Márcia Bechara, enviada especial a Avignon

“Chegar [no Festival de Avignon] com um espetáculo brasileiro com texto desse ‘carpinteiro’, que nem chamo de escritor de tão bem escrito que é esse texto do autor Michel Marc Bouchard, é uma realidade que há muito tempo a gente não vive no Brasil”, diz o ator Armando Babaioff, que protagoniza “Tom na Fazenda” e assina também a tradução do texto para o português.

“A valorização que se tem [na França] pelo artista, pela palavra, pela direção, pela encenação, [isso] para nós é um grande susto. Isso aqui é viver um sonho, estando acordado. Eu não podia imaginar o tamanho desse festival”, diz Babaioff, cujo patrocínio do Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte para o espetáculo foi subitamente cancelado em 2018 sem aviso prévio nem justificativa: “Isso me quebrou, faliu a equipe, deixou todo mundo na mão”, lamenta.

Peça fala do 'medo de assumir quem somos'

“Tom na Fazenda conta a história de um jovem que perde o namorado num acidente de moto, e se vê obrigado a ir a seu velório na fazenda onde nasceu. Lá, ele encontra a mãe do amante morto e entende que ela não faz a menor ideia de que o filho era gay e nem de quem seja aquele homem em pé na cozinha dela”, resume o ator. “É um texto que fala muito de quem nós somos, não apenas de sexualidade. Fala de nossos medos, covardias, e da dificuldade que temos de assumir quem somos”, contextualiza Babaioff.

“Há dez anos eu tenho o sonho de vir para Avignon, e dessa vez a gente percebeu que tinha nas mãos um espetáculo de qualidade artística, com uma mensagem e um verbo que nós acreditamos, era a oportunidade que a gente tinha de trazer um teatro brasileiro para fora do país”, conta. “Foi uma grata surpresa perceber a leitura do público francês. É curioso, parece que a mesma peça que foi feita no Brasil, ganha aqui outra proporção”, diz.

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