Babu Santana fala de projetos pós 'BBB 20' e de dificuldades na carreira: 'Nunca tive uma média de mais de R$ 5 mil por mês'

Michael Sá
1 / 5

WhatsApp Image 2020-04-30 at 16.29.24 (1).jpeg

Babu com os filhos e a namorada, Tatiane após sair do 'BBB 20'

Babu Santana não levou o prêmio de R$ 1,5 milhão, mas deixou o “BBB 20” com a sensação de dever cumprido. Quarto colocado da edição, o ator de 40 anos saiu do reality com dois carros (um que ganhou do programa e outro de uma concessionária), uma torcida do tamanho do time do coração, o Flamengo, e o principal: a chance de dar um futuro melhor para filhos. Graças a participação no reality, ele conseguiu bolsas de estudo para os três em colégio particular e está empolgado para fazer e acontecer na arte. O ex-brother, que entrou no programa devendo o aluguel da casa simples onde mora, na Ilha da Gigoia, na Zona Oeste do Rio, trabalha em dois projetos próprios, no teatro e cinema, quer fazer novelas e tem, agora, finalmente, a grande chance de se consolidar como ator.

"Consegui pagar o meu aluguel que estava atrasado, mas meu nome ainda está no SPC, minha dívida está protestada, mas isso é uma coisa que vai mudar com muito trabalho. Nunca tive medo de trabalho', diz o ator.

 

Como você avalia sua participação no "BBB 20"?

Entrei no programa pelo cachê inicial e fiquei muito emocionado com o carinho do público, principalmente das crianças, e estou viajando ainda nessa onda da Nação Rubro-Negra, de como eles me abraçaram, porque sou flamenguista roxo. Ter eles do meu lado foi uma emoção muito grande. Em termos de representatividade, não me sinto um ativista, mas queria, sim, ser uma referência para um menino que está começando e se sente desacreditado. Quero ser, sim, representatividade de pessoas que sofreram por não ter produtos para os seus cabelos, pelos favelados, que sofrem com essa Covid-19 nas favelas por falta de recursos. Esses dedos nas feridas é uma coisa que eu faço no meu dia a dia. Fico emocionado em me tornar referência de pretitude, dos favelados, da cultura hip hop, do samba, da classe artística, do audiovisual. É muito bom poder ter voz agora e quero usar esse instrumento de uma forma muito consciente e positiva, política e social, dando voz às minorias.

Você entrou no reality com dívida de aluguel e falta de dinheiro. O programa conseguiu mudar essa realidade?

Acho que vou conseguir mudar, mas nesse exato momento, saí do jeito que eu entrei. Consegui pagar o meu aluguel que estava atrasado, mas meu nome ainda está no SPC, minha dívida está protestada, mas isso é uma coisa que vai mudar com muito trabalho. Nunca tive medo de trabalho.

 

Algumas pessoas te acusaram de se vitimizar no reality...

Eu aceito essa crítica. Em alguns momentos, eu poderia ter segurado a onda, mas era mais forte que eu fazer uma reflexão das dificuldades que eu tinha aqui fora (de ter deixado meus filhos com muito pouco recurso financeiro) com as do jogo. Aquilo me atormentava mesmo. Mas nunca foi a minha intenção me vitimizar. Quis ser só factual e não vítima.

As pessoas questionaram muito o fato de você ter feito 43 filmes, entre eles, o protagonista de "Tim maia", 15 novelas e não ter conseguido comprar uma casa própria...

Meus pais foram exemplares, mas eles nunca tiveram uma estrutura financeira que me proporcionasse algo a mais. Comecei a trabalhar cedo para ajudar em casa. Quando eu tive a minha primeira a filha, a Laura, eu tinha feito quatro filmes. Dos 43 filmes que eu fiz, em menos de dez eu fiz personagens grandes. Só fiz cinco novelas de contratos fechados com a Globo. Nunca tive uma média de mais de R$ 5 mil mensais. As pessoas têm que entender que, quando você faz uma peça com 30 pessoas, não tem um salário de R$ 10 mil para todos. Isso quando tem patrocínio, porque a maioria das peças que eu fiz foi  sem patrocínio. O cinema brasileiro é tão incrível que somos capazes de fazer grandes produções com metade de um cachê de um superastro de Hollywood. O "Tim Maia", por exemplo, teve um orçamento aproximadamente R$ 3 a 4 milhões e umas 200 pessoas trabalhando. Quanto você acha que eu ganhei? Seria suficiente para manter uma família de quatro pessoas e comprar um terreno? De 40 anos de vida, apenas uns três ou quatro eu fiz mais de R$ 100 mil no ano. Como é que compra uma casa e tem uma vida confortável e de classe média? As pessoas fafam: "ah, porque ele saiu do Vidigal"... Saí do Vidigal por uma questão de mobilidade. Eu brigava muito com as produções porque não queriam mandar o carro me buscar lá por ser uma área de risco. Todas as casas que eu ia morar, quando eu pagava um aluguel acima de R$ 1,5 mil, eu tinha que sair em menos de um ano, pois não conseguia bancar.

 

Hoje você vive numa casa simples de dois quartos na Ilha da Gigóia (RJ). Pretende se mudar?

Pretendo me mudar por questões estruturais mesmo. Aqui é muito pequeno e tem muita umidade. Mas não é porque eu estou ficando metido (risos). É por questões físicas. Estou vendo uma casa aqui mesmo na Ilha que abrigue o meu estúdio, um escritório e a moradia para mim e a Tati (namorada). Meus filhos esse ano vão morar com as mães por conta do colégio, mas ficarão sempre comigo também.

Que futuro quer proporcionar para os seus três filhos?

Uma coisa que eu fiquei muito feliz foi saber, ao sair, que meus filhos tinham conseguido bolsas de estudos numa escola particular. O fato de ter conseguido essas vagas para os meus filhos já valeu a minha participação no "Big Brother". Nossa realidade já mudou e quero que essa mudança seja positiva. No programa, fui acusado de pagar R$ 3 mil de mensalidade na escola da minha filha Piná (de 4 anos). Só que ela é bolsista porque a mãe dela trabalha lá. Eu, que tive uma renda de mais ou menos 6 pilas por mês, não teria condições de sustentar uma escola do mesmo nível para os meus outros dois filhos. Tenho muito sorte de ter escolhidos mães muito competentes para os meus filhos. Elas são as maiores parceiras que eu tive de vida, umas guerreiras que me ajudaram muito na criação deles. Se consegui chegar até aqui, mesmo com todas as dificuldades, foi graças a essas pessoas (elas, meus amigos, que são meu anjos da guarda)que tiveram do meu lado. 

Vai pedir a namorada em casamento?

No futuro, sim. Mas é o que eu falei pare ela: graças a Deus ela chegou na minha maturidade. Nunca me permiti namorar, noivar e casar. Estamos no período do namoro. Ela é uma companheira incrível e hoje não tem nada que me impediria de casar, mas brinco que ela tem que fazer mais teste drive e ver se é o Paizão que ela quer mesmo (risos).

Pretende ter mais filhos?

Se eu conseguir me consolidar. Hoje, preciso estruturar os que eu tenho. A Tati também não tem pressa de ser mãe. Quando a Piná (de 4 anos) tiver me trocando por namorado, aí eu vejo se não é hora de ter um bebê novo (risos).

Você ganhou dois carros após o programa. Já sabe o que vai fazer com eles?

Vou ficar com um, curtir esse sonho, por que não?, e vender o outro para montar uma estrutura com um escritório de criação para administrar o meu canal no Youtube, que, inclusive, já tem live agendada (a primeira aconteceu na sexta-feira, com o craque Gabigol, do Flamengo).

Já tem projetos profissionais?

Vou criar conteúdo para o meu canal no Youtube, estou pensando em converter algum conteúdo didático para crianças, quero fazer novela, fazer turnê com minha banda e tenho dois projetos meus aqui que quero botar na rua: um filme e um espetáculo teatral com nome provisório de "Sou Babu" (um cine stad-up comedy show) Então, quero me fortalecer financeiramente primeiro com essa conquista da visibilidade do "Big Brother" e meu talento, porque eu sei das dificuldades que eu vou enfrentar quando for botar meu filme na rua. O "Tim Maia", por exemplo, enfrentou muito dificuldade para rodar. Um diretor famoso demora dois anos para rodar um filme. Sei o que vou enfrentar e que bom que essas oportunidades chegaram na minha maturidade.