Babu Santana diz ter recorrido à análise, cita medo do cancelamento e afirma: 'Não existe militante radical'

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Graças à visibilidade conquistada no "Big Brother Brasil 20", Babu Santana tem conseguido hoje viver de sua arte. Mas o ator, cantor e agora também ex-BBB não esconde sua frustração com o Brasil atual e revela que começou a fazer análise depois de todo turbilhão pelo qual passou.

"Não consegui notoriedade com a minha arte, consegui com um show de entretenimento, onde todo meu conhecimento não foi usado, no sentido de construção de personagem. Às vezes é frustrante viver da arte no país. Tô trabalhando isso na análise. O que me deixa feliz é que ganhei notoriedade por ser eu mesmo. Além disso, o artista, o cara que tem senso crítico, que tem coragem de se expressar, apontar o que incomoda, vem sendo confundido com um inimigo público. Isso é muito grave, muito triste", diz Babu na "Trip".

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Durante o tempo em que passou confinado no "BBB", Babu fez da luta contra o racismo uma de suas bandeiras no programa. Fora do jogo há quase um ano, ele segue na militância e do lado de outros que lutam pela mesma causa: "Você começa a ver figuras pretas surgindo em todos os segmentos da sociedade. Isso é fruto da militância, não se pode banalizar quem não tem medo de lutar. As pessoas dizem coisas do tipo “a fulana é muito radical”. Radical foi o processo de escravidão, que forçou um monte de gente a ir de um país para outro. Mais radical que isso, nem a Lumena nem qualquer pessoa vai conseguir ser. Para mim, não existe militante radical, radical é desigualdade contra qual ele luta".

Babu Santana revela ainda que atualmente, temendo o cancelamento, tem calculado tudo que faz ou diz, mas vê isso como algo positivo: "Calculo tudo o que vou fazer agora, mas tento canalizar isso para um lado bom, de ver falhas na minha conduta e corrigi-las, antes que se tornem um cancelamento. Não dá para negar que esse movimento existe e que traz prejuízos para quem trabalha na internet, comercialmente. Mas vou cuidar da minha vida para não cometer um crime, uma injustiça. Perto disso, o cancelamento é uma coisa meio banal. Eu sei quem eu sou, vou seguir com as minhas convicções e a educação que recebi da minha família".