Bachelet critica resposta de China, Rússia e EUA à pandemia

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, discursa em Genebra em 30 de junho de 2020

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, criticou nesta terça-feira (30) intimidação das autoridades na China e Rússia no contexto da pandemia de coronavírus, assim como o fato de que os Estados Unidos neguem a realidade da crise de saúde.

Na abertura da 44ª sessão do Conselho de Direitos Humanos, Bachelet afirmou que "no mundo inteiro a COVID-19 tem sido instrumentalizada para limitar o direito de expressão das pessoas a sua participação na tomada de decisões que afetam suas vidas".

"Na Federação da Rússia, na China, no Kosovo, na Nicarágua e em vários países vejo informações sobre ameaças e intimidação contra os jornalistas, os blogueiros e os ativistas civis, em particular a nível local, com o objetivo aparente de desestimular as críticas à resposta das autoridades contra a COVID-19", disse.

Bachelet também mencionou as severas restrições à liberdade de expressão, de associação e reunião pacífica no Egito, assim como a aplicação arbitrária e excessiva de medidas contra a pandemia em El Salvador.

"A censura e a criminalização dos discursos são suscetíveis de suprimir informações cruciais necessárias para enfrentar a pandemia", afirmou Bachelet, que pediu um combate à desinformação.

"Em Belarus, Brasil, Burundi, Nicarágua, Tanzânia e Estados Unidos, entre outros, temo que as declarações que negam a realidade do contágio do vírus e a polarização crescente das perguntas chave intensifiquem a gravidade da pandemia", afirmou.

Bachelet também reiterou o apelo a favor da suspensão de parte das sanções internacionais "para garantir que os cuidados médicos e a ajuda sejam acessíveis a todos".