Bachelet pede a governo Ortega o fim da perseguição e repressão na Nicarágua

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Michelle Bachelet, após o discurso de abertura da 48ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra (AFP/Fabrice Coffrini)

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, instou, nesta segunda-feira (13), o governo da Nicarágua a parar a "perseguição" contra a oposição, a imprensa e a sociedade civil, que aumentou com as eleições de 7 de novembro.

“É imperativo que o governo (da Nicarágua) garanta mais uma vez o exercício pleno dos direitos civis e políticos para todos os nicaraguenses; que cesse a perseguição contra a oposição, a imprensa e a sociedade civil”, destacou Bachelet na 48ª sessão do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra.

A ex-presidente chilena também exigiu que o governo do presidente Daniel Ortega "liberte de imediato e incondicionalmente os mais de 130 detidos", desde as manifestações que eclodiram em abril de 2018 e deixaram mais de 300 mortos.

Bachelet destacou que “os ataques à liberdade de expressão se intensificaram”, o que levou vários jornalistas a deixarem a Nicarágua “em busca de proteção”.

“Meu gabinete documentou 12 casos, enquanto fontes da sociedade civil registraram mais de 30”, afirmou.

Ortega, de 75 anos e no poder desde 2007, concorre ao quarto mandato consecutivo sem nenhum rival que comprometa seu propósito.

Um total de 36 opositores e críticos do governo foram detidos entre junho e agosto, incluindo sete candidatos à presidência.

Bachelet destacou que o tribunal eleitoral desqualificou "arbitrariamente" o partido Cidadãos pela Liberdade, que liderava uma aliança de oposição contra a reeleição de Ortega; assim como o fechamento de ONGs, várias delas internacionais, e ameaças contra lideranças indígenas.

Nesse contexto, o Ministério Público acusou e pediu na última quinta-feira a prisão do escritor nicaraguense Sergio Ramírez, acusando-o de atos que "incitam ao ódio" e "conspiram" contra a soberania, o que ele, que está em Madri, denuncia como “perseguição” a uma “ditadura”.

“Exorto este Conselho a considerar todas as medidas ao seu alcance para promover e proteger os direitos humanos na Nicarágua”, insistiu Bachelet, exigindo que “as graves violações dos direitos humanos” naquele país não permaneçam na “impunidade”.

As ações contra a oposição, a imprensa e a sociedade civil geraram críticas e sanções ao governo nicaraguense por parte da comunidade internacional.

bur-mis/es/ap/mvv

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