Bailarina da Baixada que já vendeu doce no trem para pagar curso brilha no balé do ‘Domingão com o Huck’: ‘Estou amando’

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Amanda Mattos, de 24 anos, tinha apenas 7 quando começou a se encantar pela dança. Nascida e criada no Cosmorama, em Mesquita, ela teve o primeiro contato com a arte num projeto social. De lá para cá, muita coisa aconteceu, e hoje ela integra o balé do “Domingão com o Huck”, que é gravado nos estúdios da Globo em São Paulo.

— Eu danço desde pequena. Comecei em um projeto social no Cosmorama, o Fome Zero, no Estádio do América. A minha mãe fez aulas de dança quando era mais nova, mas não trabalhou profissionalmente. Ela sempre gostou, então eu sempre fui muito apoiada — conta a bailarina.

No Fome Zero, Amanda aprendeu jazz e balé. Depois, passou por outras escolas e projetos e estudou na Escola Municipal de Dança Anna Pavlova, em Nilópolis:

— Eu me formei nessa escola, e dancei em academias particulares também, mas sempre como bolsista. Minha família nunca teve condição financeira de bancar a dança para mim, mas eu nunca parei. Sempre dancei.

Em 2016, sem muita pretensão, Amanda fez um teste para um curso de dança nos Estados Unidos. E passou:

— Eu resolvi fazer o teste só para fazer mesmo. Como eu já estava formada e dando aula (de dança), quis fazer para saber como estava meu nível em relação à dança e acabei passando. Eu decidi que, já que tinha passado, ia dar um jeito de ir.

Mas a jovem não tinha ainda o dinheiro da passagem, o passaporte, o visto nem a grana para arcar com os custos da viagem. Ela, então, decidiu correr atrás fazendo maquiagens e vendendo docinhos no trem, no ramal Japeri:

— No carnaval, eu fazia maquiagem de glitter nas pessoas nos blocos. E depois eu comecei a vender brigadeiro. Distribuía em loja, na faculdade... Depois veio a ideia do trem. Como eu já pegava trem todo dia, já sabia os horários de menor fluxo, e também conciliava com meus horários de dar aula. Era uma correria, mas consegui conciliar os horários para vender no trem e ir para meus compromissos depois.

Faltando quase um mês para a viagem, Amanda conheceu um jornalista no trem que comprou o brigadeiro dela e pediu que ela contasse sua história para ele. Depois disso, a jovem de Mesquita deu uma série de entrevistas para diversos jornais e conseguiu doações suficientes para bancar sua viagem para o curso nos Estados Unidos.

— Várias pessoas entraram em contato comigo oferecendo ajuda, querendo doar. Eu consegui patrocínio, e arrecadei o dobro do valor de que precisava — afirma.

No curso dos Estados Unidos, ela teve a oportunidade aprender outros estilos de dança, como sapateado, dança contemporânea, hip hop e dança moderna:

— Abriu mais a minha mente em relação a trabalhar com dança mesmo, tentar explorar outros lados. Se eu consegui chegar ali, eu poderia conseguir chegar a outros lugares também. Esse curso me ajudou bastante.

Em 2020, com a pandemia, o trabalho ficou mais difícil. Amanda conta que chegou a ser dispensada de duas escolas particulares onde dava aula, mas conseguiu se manter por causa de editais da Lei Aldir Blanc. Neste ano, a situação melhorou e muito, e a melhor novidade em sua vida profissional chegou em setembro, quando começou a integrar o balé do “Domingão com o Huck”.

— Tem sido ótimo. Estou amando demais, sempre quis trabalhar na TV. O ritmo é maravilhoso. Estou achando tudo incrível — afirma Amanda, contando que os ensaios, que são presenciais e semipresenciais, acontecem de segunda a quinta-feira e duram cerca de duas horas e que as gravações do programa são feitas nas sextas-feiras que antecedem a exibição.

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